Metrô quer fim de contrato com construtoras do monotrilho de Congonhas

Obra estava parada e fabricante dos veículos tinha desistido do projeto

Fabrício Lobel
São Paulo

O Metrô de São Paulo iniciou o processo de rescisão de contrato com um dos consórcios responsáveis pela construção do monotrilho da linha 17-ouro, que deverá ligar Congonhas à estação Morumbi da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos). A obra era prometida para a Copa do Brasil, em 2014.

O término do contrato é com o consórcio CMI, integrado pelas empresas Andrade Gutierrez, CR Almeida e Scomi, responsável pela implantação da vias aérea, o fornecimento dos trens e o sistema de sinalização da linha. 

Outros contratos seguem sendo tocados na construção de estações e do pátio de manobra do monotrilho.
O Metrô acompanhava há tempos o abandono da obra pelas empresas do consórcio e a indefinição para substituir a Scomi, empresa da Malásia que deveria fabricar o monotrilho que transportaria os passageiros na linha 17-ouro.

A fabricante chegou a estudar a abertura de uma indústria no Brasil para expandir seus negócios. Mas, após grave crise financeira, começou a romper contratos pelo mundo e havia anunciado que não tinha mais interesse no monotrilho de São Paulo.

As empreiteiras brasileiras também foram fortemente atingidas por crise financeira, o que levou à paralisação das obras. “Nos últimos dois anos foram feitas várias tratativas para a retomada das obras do monotrilho. Já foram abertos mais de 17 processos administrativos pelo atraso das obras, entre vários problemas”, disse por meio de nota o Metrô. Segundo o governo João Doria (PSDB), o consórcio tem cinco dias para apresentar sua defesa.

Prometido para a Copa de 2014, o monotrilho acumula uma série atrasos, falhas, acidentes e inquéritos no Ministério Público. Atualmente, o governo paulista fala em inaugurar apenas um dos trechos inicialmente anunciados.

O trecho em construção deverá ligar o aeroporto de Congonhas e o Jardim Aeroporto até a estação Morumbi da CPTM, na zona sul.

Quando a linha foi anunciada, seu trajeto seria quase o triplo, se estendendo desde as estações Jabaquara e São Judas, na linha 1-azul, até o meio do bairro do Morumbi, nas proximidades do estádio do São Paulo. O desenho original interligava três linhas de metrô, uma de trem e o aeroporto, além de levar moradores de áreas muito adensadas a grandes polos de trabalho.

Atualmente, com o trecho menor, a linha está prevista para ligar apenas o aeroporto a uma estação de trem e outra de metrô. Ficaram de fora do trajeto os bairros mais populosos que poderiam financiar a operação do monotrilho.

O Metrô chegou a estimar que a operação do ramal traria prejuízos. A linha não tem previsão para ficar pronta.

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