Descrição de chapéu Obituário Renato Franco de Mello (1948 - 2019)

Mortes: Paulistano nato, colecionou objetos e fez legião de amigos

Morava no casarão tombado da avenida Paulista e era defensor da preservação do local

São Paulo

Sempre à frente de seu tempo, o paulistano Renato Franco de Mello era muito intenso em tudo o que fazia. Desde a juventude, nunca gostou das arestas e prezava a liberdade. A educação no trato com o próximo e a elegância eram suas características marcantes.

Gostava de aprender coisas novas, fazer novos amigos e conversar —conversas estas que costumavam ser profundas. Apaixonado por história, tornou-se antiquário mesmo após cursar economia, arquitetura e um mestrado em agronomia.

Passou uma temporada nos Estados Unidos e outra na Europa, onde pesquisou antiguidades. Chegou a trabalhar por um tempo no cerimonial do Palácio do Governo de São Paulo, ocasião em que foi o responsável pela recepção do príncipe Charles da Inglaterra em visita ao Brasil.

Renato era gay e nunca teve problemas com sua sexualidade, apesar de dizer que era um assunto que só dizia respeito a ele. Não gostava de rotular as pessoas e acreditava no amor livre.

Tanto que acabou tendo um envolvimento amoroso com uma amiga que estudara na mesma escola espiritual que ele, na Inglaterra, e teve uma filha. Era um pai presente, conselheiro e amigo, mas não se segurava e dava palpites até nas roupas que ela vestia —achava que eram muito conservadoras.

Na década de 1990, quando enfrentou problemas financeiros, alugou seu apartamento em São Paulo e passou a morar no casarão de propriedade da família, no número 1.919 da avenida Paulista. Virou um defensor da causa pela preservação do local. Suas coleções de antiguidades davam tom ao imóvel, como se parado no tempo e na história.

Por muito tempo manteve em sua rotina um jogo de tranca com um grupo de mulheres, todas com mais de 80 anos, que ele chamava de "minhas rainhas".

Mello fazia teatro e gostava de cantar. Queria ainda gravar um disco, projeto que não teve tempo de realizar. Morreu no dia 5 de fevereiro, aos 70 anos, por uma complicação cardíaca. Deixa uma filha.


coluna.obituario@grupofolha.com.br

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