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'Não tem que se pensar em perdoar, pois são crianças', diz pai de vítima em Suzano

Pai de aluno morto em massacre na Grande SP diz considerar atiradores como 'vítimas do ódio'

Alfredo Henrique
Suzano | Agora

Reinaldo de Souza Limeira Júnior, pai de Kaio Lucas da Costa Limeira, 15, morto no massacre de Suzano (Grande SP) disse que “não tem que se pensar em perdoar (Guilherme e Luiz), pois eles são duas crianças”. 

“Enterrei meu filho ontem (quinta-feira). O que posso dizer é que mais amor, mais amor”, afirmou em lágrimas. Ele ainda acrescentou considerar os atiradores como “vítimas do ódio”.

O nome de Kaio Lucas foi o último a ser confirmado e entrar para a lista de vítimas divulgadas na quarta, após o ataque que vitimou cinco alunos, duas funcionárias e um empresário. Outras 11 pessoas ficaram feridas.

Júnior foi prestar depoimento, por volta das 17h30 desta sexta-feira, na Delegacia Sede de Suzano.

Sepultamento do jovem Kaio Lucas da Costa Limeira, no Cemitério São Sebastião, em Suzano
Sepultamento do jovem Kaio Lucas da Costa Limeira, no Cemitério São Sebastião, em Suzano - Eduardo Knapp/Folhapress

​​Kaio Lucas Costa Limeira foi descrito como "evangélico e tranquilo" por familiares. Segundo sua prima,  a auxiliar de advocacia Francine D’ Angelo, 32, "dos primos ele era o mais tranquilo. Adorava jogar futebol."

Boa parte do conteúdo publicado por Kaio nas redes sociais era relacionado a esportes. Torcedor do Real Madrid, ele também lutava judô. Uma das fotos em que Kaio aparece em luta, com um quimono azul, é comentada em tom de brincadeira por Caio Oliveira, que também morreu no massacre.

"Ala nem lavava o pé", escreveu o amigo. 

O corpo do adolescente foi velado em um ginásio poliesportivo junto com outras vítimas do massacre na escola Raul Brasil em meio a uma grande comoção. Mais de 15.000 pessoas que fizeram fila para prestar homenagens aos quatro alunos e duas funcionárias e assistiram ao sepultamento embaixo de um temporal, na quinta-feira (14). 

O velório coletivo começou antes das 7h entre abraços, choros e sussurros em um espaço oferecido pela Prefeitura de Suzano, a menos de um quilômetro do colégio palco dos ataques. 

Havia uma grade isolando os parentes das vítimas —os únicos próximos aos corpos. Ainda em choque, alguns familiares chegaram a passar mal, sendo atendidos em ambulâncias no local.

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