Atiradores de Suzano agiram no intervalo de aulas para ter mais vítimas, diz polícia

Polícia confirma 10 mortos, entre eles os dois atiradores; polícia tenta entender motivação

Dhiego Maia
Suzano

​Os atiradores responsáveis pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, escolheram o horário do intervalo das aulas para fazer o maior número possível de vítimas, segundo as primeiras investigações do crime que chocou Suzano, cidade da Grande São Paulo.

Antes de invadir o colégio nesta quarta-feira (12), a dupla baleou Jorge Antônio Moraes, proprietário de uma locadora de veículos nas imediações do Jardim Imperador, bairro onde está a escola alvo do atentado.

Moraes chegou a ser levado ao hospital, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.

Na sequência, os atiradores seguiram para o colégio. Na entrada, tiveram acesso fácil ao interior da escola por volta das 9h30. Encapuzados, fizeram uma sequência de disparos.

A coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Umezu, 59, e a agente de organização escolar Eliana Regina de Oliveira, foram as primeiras baleadas. Elas morreram na hora.

Na sequência, os suspeitos balearam mais quatro estudantes (Kaio Lucas da Costa Limeira, Claiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira e Samuel Melquíades Silva de Oliveira), que também morreram no local. Um quinto estudante, Douglas Murilo Celestino, morreu enquanto era levado ao hospital.

A cena de terror termina quando finalmente os atiradores se matam no corredor do colégio.

Os alunos que sobreviveram ao massacre saíram correndo e se abrigaram nas casas e no comércio localizados no entorno do colégio.

A moradora Juliana Romera, 40, foi uma das que abriu a própria casa para abrigar seis alunos. “Eles choravam e tremiam muito. Dei água com açúcar e pedi para eles ligarem para os pais”, disse.

Segundo o coronel da PM de São Paulo, Marcelo Salles, os atiradores portavam um revólver calibre 38, carregadores e uma besta, uma arma medieval que dispara flechas. Eles eram ex-alunos do colégio.

O governador João Doria (PSDB), acompanhado por uma comitiva de secretários, esteve na Raul Brasil na manhã desta quarta.

Muito abalado, Doria disse em coletiva à imprensa que a cena que viu “é a mais triste de sua vida”. “Fico muito triste que um fato como esse tenha acontecido em São Paulo e no Brasil.”

Doria informou que o governo do Estado vai prestar toda assistência às vítimas e aos seus familiares.

A escola Raul Brasil permaneceu isolada durante o dia porque os suspeitos deixaram no local artefatos que aparentavam ser bombas.

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