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Praia escondida em Guarujá tem guardião que recolhe lixo

Homem atravessa o mar de caiaque de Santos até Sangava para manter a limpeza do local

Klaus Richmond
Guarujá

Em meio à paisagem de mar cristalino e pedras colossais chama atenção a figura de um homem carregando sacos de ração. Anderson Reis, 40, virou uma espécie de guardião da praia de Sangava, considerada um refúgio no Guarujá, litoral sul de São Paulo.

Diariamente, ele atravessa de caiaque de Santos para a pequena praia de 170 metros do Guarujá para descansar e, principalmente, recolher o lixo deixado por turistas.

“Para mim é uma terapia. Muitos desanimam, mas vou continuar porque não considero um trabalho”, diz.

A praia, considerada um escape devido à dificuldade de acesso —somente pelo mar ou por trilha—, tem movimento maior no verão. “As pessoas deixam desde lápis até tubo de protetor solar, garrafa pet e sacos de macarrão instantâneo”, diz Iara Silva, 45.

Anderson Reis, o guardião de Sangava, recolhe lixo diariamente na praia
Anderson Reis, o guardião de Sangava, recolhe lixo diariamente na praia - Bruno Santos/Folhapress

Diferentemente de destinos como Enseada, Pitangueiras e Tombo, a praia não fica no continente e, por isso, o lixo acumulado permanece no local. “Fazemos um trabalho para conscientizar. Colocamos placas, avisamos. Mas quem não tem educação não tem jeito. O jeito é recolhermos”, afirma Anderson.

Uma das 27 praias de Guarujá, Sangava conta com grande parte da areia sombreada pela vegetação. Tem ainda uma piscina natural para os adeptos ao mergulho livre e uma pequena gruta submersa.

Junto com as praias de Cheira Limão e Saco do Major, forma um quadro inusitado: são praias mais calmas e vazias no município, balneário paulista.

Sangava é a mais conhecida. Por vezes a pequena faixa de areia é tomada por caiaques. Nos fins de semana, chega a ter mais de cem pessoas.

Cheira Limão é a menor praia da cidade, com apenas 20 metros de extensão. Por ser isolada por costões, o acesso em geral é feito pelo mar. 

O mais comum é turistas irem de caiaque, stand up paddle ou canoa havaiana. São cerca de 30 minutos saindo da Ponta da Praia, em Santos.

Para ir de barco, é preciso contratar um barqueiro, a partir de Santos. Os valores chegam a até R$ 30 por pessoa. A travessia é de cerca de 1,5 km.

O outro refúgio é a praia do Saco do Major, menos procurada que as demais. É considerada de acesso mais perigoso pelo mar. Formações rochosas próximas à orla dificultam a aproximação de barcos. O trajeto demora cerca de 40 minutos. A opção mais procurada, neste caso, é chegar até a praia por trilhas.

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