Deputada federal Tabata Amaral estreia coluna na Folha nesta segunda (8)

Parlamentar que atua na área da Educação irá escrever quinzenalmente no caderno Cotidiano

Mariana Zylberkan
São Paulo

Em pouco mais de dez minutos de entrevista para falar sobre sua coluna na Folha, que estreia nesta segunda-feira (8) no caderno Cotidiano, a deputada federal Tabata Amaral (PDT), 25, repetiu a expressão "fora da caixinha" ao menos cinco vezes.

O termo que faz referência a novas formas de executar velhas práticas, de uma certa maneira, é como ela tem enxergado sua presença na Câmara dos Deputados nestes primeiros três meses de mandato. 

"Algumas vezes, beirando cinco ou dez vezes, guardas me barraram no plenário ou na entrada da Câmara para perguntar se eu era mesmo deputada federal, se não era estadual, e onde eu tinha encontrado o meu pin [broche que identifica deputados federais]", diz a parlamentar. "Todos os dias eu sou lembrada de que este não é um lugar para mulheres jovens", completa Tabata que teve 264.450 votos em sua estreia nas urnas, nas eleições do ano passado. 

O nome de Tabata foi alçado ao mainstream das redes sociais há duas semanas quando ela confrontou o ministro da Educação Ricardo Veléz Rodríguez durante reunião de comissão da qual faz parte. O vídeo em que a parlamentar exige projetos concretos do ministro, e não "uma lista de desejos", viralizou. 

Junto com a repercussão da bronca vieram os elogios e também os ataques "de direita e esquerda", segundo ela. "A repercussão, majoritariamente, foi positiva porque as pessoas estavam muito indignadas. Vieram muitos ataques da direita, mas meu posicionamento nesse momento é levantar a cabeça acima da água e falar 'beleza, vocês não estão conseguindo me rotular'", conta. "Isso faz parte da vida e é uma coisa que eu converso na minha primeira coluna."

O posicionamento de refutar a polarização ideológica diante de questões essenciais ao país é o que deve nortear a escolha dos assuntos a serem tratados em suas colunas com periodicidade quinzenal às segundas-feiras no caderno Cotidiano. "Vamos tentar tirar os rótulos, sair fora da caixinha, abrir a cabeça e falar: 'vamos pensar que não existe esquerda e direita, não existe PT e PSL'. Vamos pensar qual Brasil a gente quer, quais são os desafios."

A atual polarização política, que atingiu seu ápice no período eleitoral, é o assunto mais urgente no país neste momento, segundo a parlamentar. Tabata diz que os ânimos acirrados a atrapalham quando "quer olhar para a realidade e as pessoas dão 'tilt' porque [o pragmatismo] não era o que elas esperavam encontrar naquele campo."

Apesar de dizer que pretende usar a coluna no jornal para refletir sobre temas abrangentes que concernem o futuro da educação no país, ela não deixa de comentar o passado como uma forma de reagir às recentes declarações do ministro Vélez sobre a intenção de revisar os livros didáticos sobre o período da ditadura militar. "É um estarrecimento. Continuo a me surpreender em um ponto que eu achava já ter atingido o limite. Quando a gente lida com coisas tão absurdas, temos que mostrar que elas são absurdas", diz. 

Nascida e criada no bairro Vila Missionária, no distrito de Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, Tabata é formada em ciência política com especialização em astrofísica pela universidade norte-americana Harvard, onde estudou graças a bolsa de estudos da própria instituição.

O bairro no extremo sul da capital foi onde ela estacionou pela primeira vez seu "gabinete itinerante", um trailer que pretende usar para rodar o estado que a elegeu para "aproximar a política das pessoas". "Por ser alguém que cresceu sem saber que uma pessoa como eu poderia estar na política é muito importante pensar diariamente no mandato além de Brasília. Não basta se fechar aqui e achar que o mundo é isso."

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do que afirmava a reportagem, Tabata Amaral (PDT-SP) não foi bolsista da Fundação Lemann. Ela foi associada à fundação e teve os estudos custeados pela Universidade Harvard.

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