Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Mourão diz que 'pressão e emoção' provocam casos como fuzilamento de músico

Vice afirmou ainda que 'disparos péssimos' evitaram uma tragédia maior no Rio

Talita Fernandes
Brasília

Em entrevista a uma rádio nesta sexta-feira (12), o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que "pressão" e "emoção" provocam episódios como a morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, 46.

O músico estava em um carro com a família no Rio de Janeiro quando foi alvejado por 80 tiros por uma equipe do Exército no último domingo (7).

"Sob pressão e sob forte emoção, ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado, foi aberto o inquérito policial militar devido. Aqueles que forem culpados —a gente já sabe que tem um oficial, que tem um comandante— toda situação dessa natureza o responsável é o comandante, é o primeiro responsável. Então a gente não tem a mínima dúvida que, uma vez comprovada a culpabilidade dos militares que integravam aquela patrulha, eles serão submetidos ao julgamento e condenados na forma da lei se for o caso", disse em entrevista à rádio CBN.

 
Familiares de Evaldo Rosa dos Santos se desesperam no enterro do músico morto no Rio - Mauro Pimentel / AFP

O vice afirmou ainda que "disparos péssimos" evitaram que uma tragédia maior acontecesse em Guadalupe, zona norte do Rio.

"Houve uma série de disparos contra o veículo da família, né? Você vê que só uma pessoa foi atingida [ao menos três foram atingidas], então foram disparos péssimos, né? Porque se fossem disparos controlados e com a devida precisão não teria sobrado ninguém dentro do veículo. Seria pior ainda a tragédia. Então isso é um fato", disse Mourão.

Além de Rosa, o sogro do músico e um pedestre que tentou ajudar também foram atingidos pelos disparos. 

O Palácio do Planalto não tem se posicionado sobre o tema. O porta-voz da Presidência, questionado inúmeras vezes sobre o crime, respondeu apenas que o presidente Jair Bolsonaro confia na Justiça Militar.

Segundo o Comando Militar do Leste, a equipe militar realizava um patrulhamento regular no perímetro de segurança da Vila Militar, que fica próxima ao bairro onde ocorreu o assassinato.

O Rio de Janeiro não se encontra mais sob intervenção federal na segurança pública desde o fim do ano passado. Também em dezembro teve fim uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), decretada pelo ex-presidente Michel Temer, que dava poder de polícia às Forças Armadas.

Lei sancionada por Temer em 2017 determina que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares contra civis, serão de competência da Justiça Militar em três casos. São eles: se praticados no cumprimento de atribuições estabelecidas pelo presidente ou pelo Ministro de Estado da Defesa; se cometidos em ação que envolva a segurança de instituição militar; se forem de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem.

Na madrugada de sexta-feira (5), um jovem morreu e outro ficou ferido, atingidos por militares perto da Vila Militar, na zona oeste do Rio. 

Segundo o CML, quatro criminosos furaram um posto de bloqueio e controle do Exército e, após desobedecerem sucessivas ordens de parar, lançaram os veículos contra as sentinelas, que reagiram à agressão. Outros dois teriam fugido.

A Polícia do Exército compareceu ao local para realizar uma perícia e um inquérito policial militar foi instaurado para apurar o caso. A família contesta a versão dos militares.  

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