Governo de SP conclui captação de recursos para as obras do Museu Paulista

Grupo de 13 empresas somou os R$ 160 mi estimados para restauro e ampliação

Francesca Angiolillo
São Paulo

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta (17) os patrocinadores do restauro do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga.

Um conjunto de 13 empresas, 3 das quais, Itaú, Sabesp e EDP, já haviam sido anunciadas em março, aportará os R$ 160 milhões requeridos para as obras de restauro do museu, viabilizadas via Lei Rouanet de incentivo à cultura.

Os novos patrocinadores são Caterpillar, EMS, Vale, Honda, Cosan, CSN, além dos bancos Safra, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Dois deles fizeram aportes superiores ao da cota de R$ 12 milhões prevista no projeto de patrocínio, perfazendo assim o total do investimento previsto. Eles não quiseram que seus nomes fossem divulgados.

Localizado no parque da Independência, o museu está fechado desde 2013, quando foi detectado risco iminente de queda do forro. Ele é um dos museus da USP, sendo por isso também uma unidade de pesquisa, no caso, na área de história.

Doria fez o anúncio ao lado dos secretários de Governo, Rodrigo Garcia, Cultura e Economia Criativa, Sergio Sá Leitão, e de Turismo, Vinicius Lummertz, de Governo. Estava presente também o reitor da USP, Vahan Agopyan.

O governador anunciou a arrecadação, ocorrida em dois meses, como um "recorde histórico".

Além dos R$ 160 milhões inicialmente estimados para as obras de restauro e ampliação do museu, Doria disse que outras cinco empresas estão em negociação para aportar recursos.

As obras, disse o governador, começarão “precisamente e deliberadamente” no Dia da Independência deste ano.

A previsão é entregar, além do museu, dos jardins e do monumento à Independência, situada também no parque, onde se encontra a cripta da família imperial.

O excedente de captação, disse Doria, servirá a realizar os festejos do Bicentenário da Independência, comemorado em 7 de setembro de 2022, data prevista para a inauguração do museu.

Segundo o governador, haverá um mês de festejos. Também está prevista uma exposição inaugural ligada à data, disse o secretário Sá Leitão, afirmando que se poderia esperar uma festa “padrão abertura de Olimpíada”.

A obra, porém, disse Doria, estará pronta em 7 de janeiro de 2022, oito meses antes da inauguração. Isso permitirá que o governador conte a conclusão dos trabalhos entre os feitos de seu governo, numa vitrine importante para sua eventual campanha à Presidência.

O governador não poupou superlativos ao dizer que o museu se tornaria o mais importante e também o mais seguro do país, com sistemas contra furto e incêndio de qualidade internacional.

A ideia, também, é que o novo museu seja autossustentável.

Segundo Doria, além do aumento do número de visitantes —estima-se que passe a receber 900 mil visitantes ao ano, o triplo do que recebia antes de fechar—, receitas virão de equipamentos como café, restaurante e lojas, antes inexistentes, e da locação de espaços para eventos.

Principalmente, porém, prepara-se a criação de um endowment, um fundo patrimonial que responderá pelo custeio da instituição e que obrigará à criação de um sistema de governança, que prestará contas dos gastos e investimentos realizados.

Os fundos desse gênero são a base do funcionamento de instituições internacionais e se tornaram um mecanismo possível a partir de medida provisória do presidente Michel Temer (MDB), no ano passado, sancionada já por Jair Bolsonaro (PSL), após aprovação no Congresso, no início de seu mandato.

A lei agora aguarda regulamentação.

No evento foi anunciada também a empresa que vai gerenciar as obras. Será a Setec Hidrobrasileira, que presta o mesmo serviço nas obras de recuperação do Museu da Língua Portuguesa, que pegou fogo em 2015.

A empresa é um braço da francesa que geriu a reforma do Louvre, em Paris. O museu mais visitado do mundo, evocado como um modelo para o Ipiranga no evento, recebeu no ano passado 10 milhões de pessoas.

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