Capital mais fria do país, Curitiba se prepara para baixas temperaturas

Frio leva a aumento na procura por serviços de saúde e acolhimento de moradores de rua

Katna Baran
Curitiba

É só a onda de frio chegar, como nesta sexta-feira (5), que os curitibanos tiram do armários a blusas e casasos —ou japona, em bom "curitibanês"— e correm para as redes sociais para deixar claro: onde quer que você esteja, em Curitiba estará mais frio.

Uns comemoram as baixas temperaturas, outros reclamam de tanta roupa, mas todos concordam numa coisa: na capital paranaense, os dias gelados são mais frequentes que em outras capitais brasileiras.

E nisso eles têm razão. Curitiba é considerada a capital mais fria do país. A localização mais próxima da zona polar do sul é a primeira justificativa para as baixas temperaturas, especialmente no inverno, quando a inclinação da Terra distancia a região dos raios solares.

Ocorre que a capital paranaense não é a que está no maior extremo do território brasileiro: Florianópolis, em Santa Catarina, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, estão mais ao sul. Aí entram dois fatores que influenciam no clima curitibano: a posição e o relevo.

A cidade fica próxima ao mar, o que traz mais umidade do oceano, aumentando a nebulosidade. Assim, os dias tendem a ter menos sol durante o dia, diminuindo a temperatura.

“Curitiba é a capital ao sul com mais altitude, por isso também ganha nesse quesito”, resume Gil Russo, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Apesar da pequena distância do oceano, Curitiba também está 935 metros acima do nível do mar, diferentemente de Florianópolis e Porto Alegre, cidades com altitude 0 ou quase isso.

Consequências

Apesar de atrair turistas para a cidade, o título de capital mais fria do Brasil gera também consequências ruins que exigem medidas preventivas da administração pública.

Historicamente, por exemplo, entre abril e julho, há um aumento de 11% na procura por atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento). Nessa época do ano, há crescimento de 40% a 60% de atendimento por doenças respiratórias, mais comuns no frio.

Desde maio, a FAS (Fundação de Ação Social) de Curitiba também tem intensificado as ações de acolhimento de moradores de rua. Já na madrugada de terça-feira (2), os atendimentos nas casas de apoio tiveram alta, que tiveram o horário de atendimento estendido.

Nas madrugadas mais frias, além da procura dos próprios desabrigados, 12 equipes circulam a cidade para oferecer acolhimento nas 39 casas, onde os moradores podem tomar banho, trocar de roupa e pernoitar. A capacidade máxima dos centros é de 1.200 pessoas.

As pessoas que não querem deixar os animais de estimação na rua, o que antes representava um empecilho para que a prefeitura conseguisse leva-los aos abrigos, hoje contam com duas casas de acolhimento com canis e a FAS também tem caixas para transporte dos bichos.

Animais e plantas

O zoológico da cidade também ganha atenção redobrada. O horário de visitação foi reduzido já no final de maio, e os bichos recebem alimentação especial, com itens que dão mais energia para suportar o frio, entre eles o pinhão, semente típica do Paraná.

“Os primatas até recebem leite com mel, que é uma receita antiga para prevenção de doenças”, conta o diretor de pesquisa e conservação da fauna, Edson Evaristo. O chipanzé africano, não adaptado às temperaturas geladas, e outros primatas ainda ganham cobertores.

Todos os animais ainda contam com áreas de refúgio para o frio, com aquecedores. “As aves principalmente procuram esses lugares, pois têm tendência de problemas respiratórias”, diz.

As plantas que enfeitam parques, ruas e praças de Curitiba também são trocadas logo no final de maio por flores mais resistentes ao frio, como amor-perfeito e petúnia. Há produção de cerca de 150 mil mudas por mês no horto municipal.

A engenheira agrônoma da prefeitura, Josy Moraes, garante: “as flores devem durar toda a estação de inverno, salvo se não acontecer algum imprevisto, como uma chuva de pedra”.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.