Estudante negro é agredido por seguranças em rodoviária de Salvador

Ele estava sentado em um quiosque estudando quando foi alvo de agressões

João Pedro Pitombo
Salvador

O estudante universitário Vinícius Vieira foi agredido por fiscais e seguranças da estação rodoviária de Salvador na madrugada desta quarta-feira (17).

Estudante da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), em São Francisco do Conde (a 81 km de Salvador), Vinícius é da cidade de Ilhéus, sul do estado, e mora no alojamento da universidade.

Ele havia desembarcado em Salvador por volta de 1h vindo de Ilhéus, onde foi visitar a família. Resolveu esperar na própria rodoviária para pegar o ônibus para São Francisco do Conde ao amanhecer.

Quando estava sentado sob um dos quiosques da rodoviária, estudando, foi abordado pelos fiscais e seguranças, que tentaram o expulsar do local.

Em uma rede social, Vinícius conta que fiscais e seguranças da rodoviária agiram de forma truculenta. Parte das agressões foi gravada em um vídeo feito com o telefone celular. No vídeo, os seguranças aparecem dando tapas e empurrões no estudante.

“O senhor está me ferindo. O senhor não pode me agredir. Estou sendo agredido pelos fiscais da rodoviária. Sou estudante universitário, você não pode me agredir dessa forma”, disse o estudante enquanto era agredido.

Ele diz que viu os seguranças afirmarem aos policiais que desconfiaram que ele pudesse ser um infrator. Na manhã de quarta, Vinícius prestou queixa em uma delegacia e fez exame de corpo de delito.

O vereador Marcos Mendes (PSOL), que acompanhou o caso, afirma que a ação contra Vinícius pode ser enquadrada como um episódio de racismo institucional —o estudante é negro. Também destaca o agravante de o caso ter acontecido dentro da rodoviária, estrutura que pertence ao governo do Estado.  

Concessionária da rodoviária de Salvador, a empresa Sinart informou que lamenta o episódio e que os funcionários que agrediram o estudante ficarão afastados enquanto o caso estiver em investigação.

“A Sinart preza pela humanização do atendimento e respeito a todos os usuários e que não compactua e repudia quaisquer atitudes de violência ou preconceito, seja verbal ou físico”, disse a empresa em nota.

A Agerba, agência reguladora do setor de transportes ligada ao governo da Bahia, informou que repudia quaisquer atos de abuso e violência e disse que está apurando a situação. 

ANTECEDENTE

Esse não é o primeiro caso de racismo e violência física registrado em Salvador neste ano. Em fevereiro, o microempresário Crispim Terral, 34, foi imobilizado por policiais militares  dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal. 

Primeiro o banco afirmou, em nota, que não havia identificado nenhuma atitude discriminatória de seus funcionários. Dias depois, no entanto, afastou o  gerente da agência.

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