Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Witzel quer criar secretaria de vitimização de policiais no Rio

Estado teve aumento no número de mortos pela polícia e menos de agentes vítimas; governador diz que pasta atenderá todos atingidos pela violência

Thaiza Pauluze
São Paulo

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), vai criar uma secretaria de vitimização dos policiais militares e outras vítimas do crime organizado. No estado, a morte de agentes e os homicídios vêm caindo, ao contrário do número de pessoas mortas por policiais. 

O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (25), no Encontro Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Eneme), na capital paulista. O ex-juiz foi convidado para falar sobre a importância das instituições militares para a preservação da ordem pública e terminou sua apresentação ovacionado, posando para selfies.

Governador Wilson Witzel é ovacionado por policiais em evento da categoria em SP
Governador Wilson Witzel é ovacionado por policiais em evento da categoria em SP - Thaiza Pauluze/Folhapress

À Folha, Witzel afirmou que colocará uma mulher à frente da pasta, mas não respondeu quando perguntado se será militar ou civil. 

Segundo o governador, a secretaria “vai cuidar da vitimização dos policiais e das pessoas com deficiência, mas não só isso, vitimização de maneira ampla.” A ideia é olhar para “todos que sofreram com a violência causada pelo crime organizado”, afirmou. 

O número de homicídios no Rio caiu 23%, quando comparados os primeiros semestres de 2018 e 2019, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública).

Já os mortos em ações policiais aumentaram 15% no mesmo período. Foram 881 mortes por agentes este ano, contra 669 nos seis primeiros meses do ano passado.

Entre os casos em que testemunhas acusam agentes de serem os autores dos disparos está o de Jenyfer Cilene, 11, morta em fevereiro, em Triagem, na zona norte da cidade, e o de Kauan Peixoto, 12, atingido por três tiros na comunidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, em março.

O número de policiais mortos em serviço, no entanto, teve queda de 63%. Foram sete agentes vitimados entre janeiro e julho. 

“No Rio hoje o crime e o terrorismo têm feito vítimas para poder colocar a culpa e a responsabilidade na PM. Vamos ter uma secretaria dedicada a cuidar das vítimas de todo esse processo de enfrentamento”, disse Witzel à Folha

De acordo com o governador, a nova secretaria será a primeira do tipo no Brasil e vai trabalhar com assistência psicológica e na “composição de danos”, intermediando auxílio da Defensoria Pública, por exemplo. A pasta terá, segundo Witzel, um viés mais especializado para atender esses casos. 

Hoje, quem auxilia as vítimas de violência no estado é a secretaria estadual de Direitos Humanos. “É uma pasta ampla, que agora vai se concentrar nas outras áreas, na mulher que sofre violência doméstica, crianças em situação de risco, programas sociais de moradia, alimentação. Estamos destacando a vitimização”, disse Witzel. 

A ideia de criar a secretaria, afirma o governador, partiu dos seus estudos de direito penal. “Sempre fui estudioso da vitimologia e vejo um momento oportuno para implementar a política de vitimização no estado”, afirmou. 

O ex-juiz foi eleito levantando a bandeira do recrudescimento das ações de segurança pública. Ele defende a autorização para o “abate” de criminosos portando armas pesadas.

Política elogiada durante o Eneme pelo senador Major Olimpio (PSL-SP), que criticou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

O tucano também foi convidado pela organização do evento, que reúne oficiais de todos os estados, mas ainda não confirmou sua presença. Ele faria a palestra de encerramento nesta sexta-feira (26). 

"Cheguei atrasado por que estava numa manifestação na porta do Palácio [dos Bandeirantes]", disse Olimpio. O protesto desta quinta na sede do governo paulista, organizado por sindicatos dos agentes penitenciários, pediu reajuste de salários, cronograma de nomeações de quem passou nos concursos públicos, mas ainda não foi convocado, e discussão sobre as privatizações dos presídios.

Olimpio classificou Witzel como "uma voz exemplar em defesa das forças de segurança". "Vossa excelência tem tido a reverência que um chefe de Estado deve ter diante da perda de um policial", elogiou, ante de emendar: "comento com tristeza que tivemos a morte de um policial militar em serviço, e o coronel [Marcelo Vieira] Salles [comandante da PM paulista] estava comigo em Santos chorando e falando à família."

Já Doria, segundo Olimpio, "foi para Santos duas horas depois num evento de oba oba no Porto de Santos e não foi ao velório do policial. O chefe tem que ter respeito em todos os momentos", afirmou.

"Já que estou falando com policiais e bombeiros de todo o Brasil, levem a mensagem aos seus de que o mal de São Paulo pode chegar nos outros estados. Muito cuidado", disse o senador, em referência em governador Doria.

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