Casos de sarampo no estado de SP sobem 53% em uma semana

Capital tem 778 notificações, 61% a mais que na semana passada; 902,2 mil jovens foram vacinados

Patrícia Pasquini Cláudia Collucci
São Paulo

A dez dias de terminar a campanha de vacinação contra o sarampo em São Paulo, o número de casos da doença não para de subir. 

De acordo com balanço divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, até 31 de julho, foram registrados 967 casos de sarampo. O número aumentou 53% em relação a semana anterior, quando havia 633 registros.

A capital paulista tem hoje 778 notificações de sarampo. Na semana passada, a cidade tinha 484 casos da doença, o que significa um aumento de 60,74% em sete dias.

Santos (a 85 km de SP) tem o segundo maior número de casos, com 23 registrados na cidade. Em seguida vêm Guarulhos (Grande SP), com 22, e Fernandópolis (a 555 km de SP) e Santo André (ABC), ambos com 21.

 

A campanha de vacinação começou em 10 de junho com a meta de imunizar 4,4 milhões de jovens e adultos de 15 a 29 anos em todo o estado até o dia 16 de agosto, data prevista para o encerramento da mobilização. Até o momento, foram vacinadas 902,2 mil pessoas nessa faixa etária.

Após implantar postos volantes em locais de grande circulação, como estações de metrô, trens e terminais de ônibus, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo mudou a estratégia de vacinação.

Na segunda-feira (6), alunos de escolas estaduais, municipais de educação infantil, creches, universidades públicas e privadas, e do EJA (Educação de Jovens e Adultos) da capital paulista começaram a ser vacinados. 

Na rede pública estadual, a expectativa é vacinar 996 mil alunos de 1.126 escolas. A prefeitura não informou o número de serviços municipais da Educação, a quantidade de alunos alvos da campanha e nem o balanço de quantos foram imunizados até o momento.

Crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias também estão sendo imunizadas. Vale lembrar que, além da dose da campanha, este público deverá receber as duas doses da vacina preconizadas no calendário nacional de imunização, aos 12 e 15 meses de idade.

Desde o início da campanha, no município foram aplicadas 758.987 doses, o que equivale a uma cobertura de 23,5% entre o público jovem (15 a 29 anos) e 15% entre os bebês.

Para cumprir a meta de vacinar 95% do público-alvo na capital, a Secretaria Municipal da Saúde mobilizou 24.500 funcionários, sendo 8.000 da vigilância e 16.500 da atenção básica. "A maioria deixou a função administrativa e saiu a campo", disse a coordenadora da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), Solange Maria de Saboia e Silva.

A Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo), que representa serviços privados, iniciou uma campanha pedindo que seus 740 mil profissionais de saúde se vacinem contra o sarampo imediatamente.

O apelo de mobilização do setor foi feito à entidade pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde.

A rede privada de saúde conta com 55 mil serviços no estado. Segundo Yussif Ali Mere Jr, presidente da Fehoesp, além da vacinação, estão sendo reforçadas instruções para conter o avanço da doença.
Casos suspeitos devem ser isolados e comunicados imediatamente às secretarias municipais de saúde e vigilância sanitária local.

Outra orientação é para que os serviços de emergência dos hospitais tenham um sistema de triagem rápido e seletivo.

Pacientes com suspeita de sarampo devem ser separados e não ficar na mesma sala de espera de outros pacientes, para que se evite a contaminação. "Cada paciente com sarampo pode contaminar de 16 a 17 pessoas", diz Ali Mere Jr.

Segundo Ali Mere, muitos dos infectados em SP são pessoas com planos de saúde e que procuram a rede privada.

"Como o sarampo é uma doença que estava praticamente erradicada e sem casos no estado, precisamos alertar os serviços de emergência dos hospitais para que adotem as medidas necessárias no atendimento aos pacientes com suspeita da doença."

A Doença

O sarampo é uma doença respiratória grave e contagiosa, transmitida por tosse, espirro e saliva. 

Os sintomas são febre alta, conjuntivite, tosse e o aparecimento de manchas vermelhas dois dias após o início da febre.

O paciente deve ter boa alimentação e hidratação, além de evitar as complicações da doença, que são otite, encefalite e pneumonia.

Tire dúvidas sobre o sarampo

O que é sarampo? É uma doença infecciosa aguda transmitida por um vírus, caracterizada por manchas na pele. Estava erradicada no Brasil e voltou porque as pessoas deixaram de se vacinar.

Como é transmitido? A transmissão acontece pela saliva, carregada pelo ar (quando a pessoa tosse, fala ou espirra). Ou seja, é altamente contagiosa.

Quais os sintomas? Febre alta (acima de 38,5°C), manchas vermelhas na cabeça e no corpo, tosse, dor de cabeça, coriza e conjuntivite.

Sarampo pode matar? Sim. É uma doença que traz complicações graves, inclusive neurológicas, e pode levar à morte. Também pode deixar sequelas como a surdez.

Como é o tratamento? O doente é isolado e apenas os sintomas são tratados. Por isso, a vacinação é a ferramenta mais eficaz no combate à doença.

O que fazer em caso de suspeita? Encaminhar o paciente a um serviço de saúde, que por sua vez notificará a vigilância epidemiológica para que esta vacine quem teve contato com o doente.

Quem deve se vacinar?  Bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias devem tomar a dose da campanha e as duas do calendário nacional de imunização, aos 12 meses e 15 meses; crianças e jovens de até 29 anos precisam ter tomado duas doses da vacina —quem tem de 30 a 59 anos, apenas uma dose. A maioria das pessoas com mais de 60 anos não precisa da vacina, pois já teve contato com o vírus. Na dúvida sobre ter ou não tomado a vacina na infância, é melhor tomá-la agora. Não é preciso levar a carteirinha de vacinação.

Onde é feita a vacinação?  Em postos de saúde e, durante a campanha, em pontos anunciados pelo governo, como estações do metrô.

Quais as reações à vacina?  Febre e dor no local da injeção, com possível inchaço. Não há reações neurológicas. A vacina NÃO causa autismo.

Quem não pode se vacinar?  Gestantes, transplantados, quem faz quimioterapia e radioterapia, ou usa corticoides ou tem HIV com CD4 menor que 200. Alérgicos a ovo e lactantes podem tomar a vacina.

Por quanto tempo a vacina vale? Para quem completou as duas doses (ou uma dose até 1989), vale pela vida toda.

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