Homicídios caem 26% em julho e SP bate recorde histórico com 192 vítimas

Roubos crescem 7% e interrompe sequência de 25 meses de queda

Rogério Pagnan
São Paulo

​O estado de São Paulo registrou no mês de julho deste ano 192 homicídios dolosos (intencionais), a menor quantidade de vítimas em todos os meses do ano, da série histórica paulista iniciada em 2002. É a primeira vez no século que o estado fica abaixo de 200 crimes registrados.

Essa marca foi atingida graças a queda de 26,4% registrada no mês passado, em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o estado registrou 261 vítimas. O recorde anterior também era deste ano, no mês de fevereiro, com seus 28 dias e 219 vítimas registradas.

Em julho de 2002, início da série histórica, o estado registrou 967 vítimas –queda de 80% em comparação a 2019. Naquele ano, a taxa de homicídio atingia 33,06 vítimas por grupo de 100 mil habitantes. Neste mês, atinge, 6,61 segundo os dados divulgados pelo governo paulista na tarde desta sexta (23).

O sociólogo Luís Flávio Sapori, da PUC Minas, diz que a queda contínua dos crimes de homicídio doloso torna o estado uma referência internacional de sucesso. 

“O estado se junta a casos como Bogotá, na Colombia, a Nova Iorque, nos EUA, regiões que se destacaram nos estudos internacional como referência de redução da violência, no prazo de 10 e 15 anos”, disse.

Os dados mostram, por outro lado, um aumento de crimes patrimoniais, como os roubos em geral, que cresceram 7% no mês passado, interrompendo uma queda de 25 meses seguidos. Em julho passado, foram registrados 21.961 contra 20.509 anotados no mesmo período do ano passado.

De acordo com o governo, 23,3% de todos os roubos registrados no estado em 2018 envolveram telefones celulares. Os roubos são cometidos com violência ou grave ameaça. Os casos de furtos, não

ENCARCERAMENTO

A redução dos índices de criminalidade, em especial a queda nas taxas de homicídio, não tem ligação direta com o aumento do encarceramento de pessoas nas duas últimas décadas, de acordo com especialistas. 

Em maio deste ano, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), fez tal avaliação ao comentar o crescimento do número de pessoas no sistema prisional de São Paulo, que nos últimos 25 anos passou de 55.021 presos para 235.775 –aumento de 329%. 

“O estado de São Paulo mostrou que prender diminui criminalidade. Somos um exemplo prático. Nós tínhamos [uma taxa de] 35 homicídios por 100 mil habitantes ao ano, e reduzimos para 7. De 13 mil assassinatos, reduzimos para menos de 3.000", disse ele.

"O que estimula o crime é a impunidade. Então, o fato de você prender, tirar o criminoso da rua, tem resultado. Muito estado não prende porque não tem aonde pôr”, afirmou o ex-governador.

Não há, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, pesquisa científica conhecida que possa embasar tal afirmação.

“Dizer que o encarceramento é a causa disso [redução da criminalidade] é uma fantasia, isso não tem fundamento científico. A redução da violência depende de um conjunto de fatores, como escolarização, emprego e moradia”, disse o sociólogo Álvaro Gullo, que acompanhou a rotina do sistema prisional paulista por dez anos.

O juiz estadual Marcelo Semer, substituto em segundo grau no Tribunal de Justiça de São Paulo, também afirma não ver relação entre o aumento da população de presos e a queda na criminalidade.

“Não tem ligação nenhuma. O volume de encarcerados por homicídio é muito pequeno. Tradicionalmente, no país inteiro, você não tem nem 10% do sistema penitenciário que é ligado a homicídios”, disse o magistrado.

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