Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Operação policial no Alemão, no Rio, deixa 5 mortos; Maré tem pânico em escolas

Polícia Civil usou helicóptero; suspeito de chefiar tráfico em favela conseguiu escapar

Marina Lang
Rio de Janeiro | UOL

Ao menos cinco pessoas morreram em operação policial hoje no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. A Secretaria Estadual de Saúde informou que quatro corpos sem identificação deram entrada no Hospital Estadual Getúlio Vargas, e a Secretaria Municipal de Saúde relatou que um mototaxista foi levado sem vida à UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) do Alemão. Um PM se encontra internado em estado grave.

No Complexo da Maré, também na zona norte, outra ação policial, que contou com uso de helicóptero, provocou pânico em escolas locais.

A operação da Polícia Militar no Alemão começou por volta das 7h, segundo relatos de moradores. Segundo a secretaria municipal, o mototaxista Wellens dos Santos, 18, foi levado já morto à UPA. Em nota, a PM disse que um policial e outros dois homens ficaram feridos —ainda não há informações sobre o estado de saúde deles.

A corporação informou que o objetivo era "reprimir o tráfico de drogas na região e localizar criminosos". "Ao entrarem na comunidade, criminosos armados atiraram contra os militares. Houve confronto. Um policial ficou ferido e socorrido ao Hospital Getúlio Vargas. Um fuzil, granada e pistolas foram apreendidos. Dois indivíduos ficaram feridos", informou a PM em nota.

O estado de saúde do PM, identificado como Felipe Brasileiro Pinheiro, é considerado grave, segundo a secretaria.

A Polícia Civil realizou operação na Vila dos Pinheiros, no conjunto de favelas da Maré, para prender Thiago da Silva Folly, apontado como chefe do tráfico local. Ele conseguiu escapar.

Na casa onde os traficantes estavam foram apreendidos drogas, um fuzil com luneta acoplada, granada, munições, carregador e rádios comunicadores. Segundo a polícia, um suspeito de ser traficante conhecido como Avatar foi preso em flagrante com drogas, rádio comunicador e munições dentro de uma mochila.

Na última segunda-feira (16), ao menos quatro pessoas morreram em operação do BPChoque (Batalhão de Choque), Bope (Batalhão de Operações Especiais) e BAC (Batalhão de Ações com Cães) na favela do Jacarezinho, na zona norte. Na ocasião, um policial flagrado dando um soco na cabeça de um homem detido foi preso administrativamente pela corporação.

PÂNICO EM ESCOLAS DA MARÉ

Na Maré, a Polícia Civil fez uma operação com o uso de helicópteros na região da favela Salsa e Merengue.

Segundo a página de denúncias "Maré Vive", muitos tiros foram dados na região do Complexo de Escolas Salsa e Merengue, onde ficam creches e instituições de ensino da comunidade.

Fotos de crianças uniformizadas e abaixadas dentro das escolas circulam na internet. O UOL tentou entrar em contato com algumas das unidades escolares da região, que não confirmaram a procedência das imagens.

"O que mais me partiu o coração foi escutar os gritos dos alunos. Moro na Nova Holanda e semana retrasada também teve operação que durou até de noite. Deus nos ajude... porque nós estamos entregues a um estado negligente, homicida, conivente com a violência... omissos... E depois vem com a cara mais limpa do mundo na TV e dá as desculpas mais estapafúrdias possíveis", disse uma moradora do Complexo da Maré em uma rede social.

"Isso é hora para fazer operação, com as escolas cheias? Meu Deus, livra-nos e as nossas crianças de todo mal. Só misericórdia de Deus nessa hora", opinou outra.

"Muito triste, deixa as crianças todas traumatizadas", lamentou outro residente do complexo.

Apesar dos relatos, a Secretaria Municipal de Educação disse que as escolas da região não fecharam as portas. "As escolas, regularmente, se mantêm de portas abertas para a população. Em função de tiroteios entre policiais e marginais em determinados pontos de comunidades do Rio, muitos pais e responsáveis tomam a iniciativa de buscar os filhos nas unidades de ensino, e o período de aula acaba interrompido para algumas crianças", disse a pasta, por meio de nota.

Recorde de mortes em ações policiais

De acordo com dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), autarquia ligada ao governo estadual, as mortes em ações policiais no mês de julho (último dado disponível) registram o maior número para um mês desde 1998. Foram 194 casos, um aumento de 49% em relação ao ano passado. Em comparação com o mês de junho, a alta foi de 29%.

No acumulado de janeiro a julho, 1.075 pessoas morreram em intervenções policiais —número 20% maior do que o mesmo período de 2018. Até julho, a média é de mais de cinco mortos pela polícia por dia.

Os números cresceram em meio à defesa de um discurso de "abate" do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). Ele defende, desde a época de campanha, que pessoas portando fuzil sejam abatidas pela polícia.

Até julho, 11 PMs morreram em serviço no estado —o número é metade do total de policiais mortos (22) no mesmo período do ano passado (19 PMs e três policiais civis), segundo o ISP. Não houve óbitos de policiais civis neste ano no Rio.

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