Polícia prende Sheik, um dos traficantes mais procurados do país, em SP

Libanês ganhou alcunha por construir em Valinhos uma mansão cinematográfica avaliada em R$ 40 milhões

Thaiza Pauluze Alfredo Henrique
São Paulo

A polícia prendeu nesta sexta-feira (18) em Campinas (93 km de SP) um libanês de 64 anos apontado como chefe de uma quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas. Joseph Nour Eddine Nasrallah, conhecido como “Sheik”, era foragido da Justiça desde 2017. 

Ele figurava o topo da lista com os 20 mais cobiçados pelas polícias do Brasil, que ainda está sendo elaborada pelo Ministério da Justiça. 

Sheik ficou conhecido por construir em Valinhos (SP) uma mansão luxuosa, avaliada, em 2007, em R$ 40 milhões. Daí a alcunha que passou a figurar em suas fichas policiais.

Fachada da casa do libanês Joseph Nour Eddine Nasrallah, em Valinhos (SP) - Divulgação

Naquele ano, ele foi preso pela Polícia Federal, na Operação Kolibra (Conexão Líbano-Brasil), suspeito de liderar a organização que compra toneladas de cocaína na América do Sul e exporta em navios cargueiros para os EUA, Portugal, Espanha, Reino Unido, a Alemanha, a Suíça e para países do Oriente Médio.

A mansão cinematográfica, descoberta na época da prisão, tinha uma banheira avaliada em US$ 60 mil (R$ 243 mil) e detalhes em ouro nas paredes de mármore.

Sheik tem atualmente condenações por tráfico, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Ele passou quase sete anos na cadeia após ser capturado pela Polícia Federal, mas em 2013 conseguiu um habeas corpus do ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), e foi liberado. Em maio de 2016, voltou à prisão por causa da sentença, confirmada em segunda instância, que o condenou a dez anos de reclusão, em regime fechado, por associação ao tráfico transnacional. 

Mas o ministro mandou soltá-lo novamente, argumentando que a decisão não havia transitado em julgado, ou seja, não era definitiva. No mês seguinte, a 1ª Turma do STF cassou a liminar de Marco Aurélio, mas a polícia não soube mais de Sheik.

Segundo a delegada Roberta Guerra Maransaldi, o 89º DP (Pontal do Morumbi) obteve a informação de que o traficante iria se reunir com prováveis compradores de cocaína, para distribuí-la na favela de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista.

O encontro ocorreria no restaurante de um hotel em Campinas. 

Após receber a denúncia, investigadores ficaram de campana no hotel, por uma semana, até que identificaram Sheik no saguão do local, na sexta, onde foi abordado com discrição.

“A prisão dele foi tranquila. Na delegacia, ele negou participação [com o tráfico] e deixou claro que ele não seria nunca pego com drogas ou armas [em sua posse]”, afirmou a delegada titular do 89º DP.

Segundo a polícia, ele também tem passagens criminais por receptação e extorsão mediante sequestro.

Após ser preso, de acordo com a delegada, Sheik teria sido irônico com os policiais que o acompanhavam. “Ele nos parabenizou pela prisão, afirmando que essa foi a primeira vez que a Polícia Civil conseguiu o prender.”

A Folha não conseguiu contato com a defesa de Sheik para comentar a prisão.

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