Câmara de SP vai criar comissão para verificar se inscritos nas cotas são negros

Medida da mesa diretora regulamenta lei que estabelece reserva de 20% vagas na Casa

São Paulo

A Câmara Municipal de São Paulo vai criar uma "comissão de identificação racial" para verificar se pessoas contratadas em cargos comissionados e concursos são mesmo negras.

A publicação, feita no Diário Oficial, é a regulamentação de uma lei de cotas que estabelece 20% de vagas para negros e pardos. A lei é de 2013 e, no âmbito do Executivo, havia sido regulamentada em 2016. 

De acordo com medida, no caso dos concursados, no momento da posse, o candidato que se autodeclarar negro será avaliado em até cinco dias úteis por uma comissão criada para este fim. O grupo será formado por cinco servidores, sendo que ao menos um deles deverá ser negro. 

Os candidatos inscritos nas cotas terão de apresentar uma foto 5 por 7 de rosto inteiro, do topo da cabeça até o final dos ombros, com fundo branco de datada de no máximo 30 dias. 

Após casos de fraudes após cotas com o sistema de autodeclaração, esse tipo de comissão tem sido adotada em vestibulares e concursos pelo país. 

""O ato regulamentar da Câmara de São Paulo, numa iniciativa pioneira do Legislativo, garante o cumprimento da cota no funcionalismo da Casa", afirmou o presidente da Câmara, vereador Eduardo Tuma (PSDB). 

"A autodeclaração goza de presunção relativa de veracidade e não dispensa a efetiva correspondência da identidade fenotípica do candidato com a de pessoas identificadas socialmente como negras", afirma a publicação. Se houver dúvida razoável sobre o fenótipo do candidato, prevalecerá a autodeclaração. 

No caso de cargos comissionados, também haverá a reserva de 20% das vagas. Neste caso,  a mesa diretora será responsável por zelar que as "nomeações seguintes sejam preenchidas por negros, negras ou afrodescendentes até que se atinja o limite mínimo".

O percentual de negros nos cargos comissionados será verificado por meio de relatórios semestrais enviados à mesa diretora. No caso de autodeclaração falsa, o servidor deverá ser "exonerado e estará sujeito à responsabilização administrativa, civil e penal".

Segundo levantamento interno na Casa, hoje cerca de 25% dos comissionados se declaram afrodescendentes. 

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