Novo contrato de semáforos de SP privilegia centro e custará R$ 936 mi

CET já havia investido ao menos R$ 380 milhões em 2013 na modernização do setor

Fabrício Lobel
São Paulo

Apenas seis anos após um contrato milionário que investiu na revitalização dos semáforos de São Paulo, a Prefeitura de São Paulo prepara uma nova contratação para o mesmo fim. Desta vez, a previsão de investimento é de R$ 936 milhões em cinco anos. 

A modernização, porém, ficará restrita ao centro expandido da cidade. No restante, haverá apenas o serviço de manutenção. Ainda não há prazo para o contrato ser assinado; ele concluiu em outubro a fase de consulta pública.

Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), vinculada à gestão Bruno Covas (PSDB), a nova contratação é complementar à feita na administração Fernando Haddad (PT), entre 2013 e 2016, e que custou mais de R$ 380 milhões (em valores atualizados).

Por meio de nota, a CET diz que a contratação anterior focou na recuperação elétrica de 4.800 cruzamentos com semáforos na cidade (78% da rede de então). O objetivo agora seria atualizar a tecnologia dos equipamentos. 

Relatórios da própria companhia mostram que ao menos parte desse trabalho já foi executado entre 2013 e 2015.

Foram disponibilizados 1.200 equipamentos no-break, com o objetivo de manter o funcionamento dos semáforos mesmo durante um apagão elétrico e 800 controladores (computadores que gerenciam os tempos de travessia de cada via ao longo do dia). Também foram instalados dispositivos capazes de monitorar de maneira remota de 1.800 controladores. Os equipamentos passaram a ser monitorados por uma estação remota da CET, ainda que técnicos não pudessem programá-los a distância.

O investimento, segundo documentos da CET, teriam reduzido o intervalo de falhas de 45 a 55 por dia para 15 a 20 diárias. 

A CET diz que o investimento não foi suficiente para que São Paulo deixe de ter uma rede de sinalização defasada. Contudo, a futura modernização deverá ser feita apenas nos 2.583 cruzamentos semaforizados que estão no centro expandido da cidade (número equivalente a 40% da rede).

A prioridade dada ao centro, segundo a CET se justifica pela concentração do maior número de falhas técnicas e pelo impacto ao restante da cidade trazido pelos congestionamentos nesta região. 

Nessa área, por exemplo, todos os fios de comunicação entre semáforos e seus controladores deverão ser enterrados. A prefeitura diz ainda querer aumentar o número de cruzamentos com no-break e com semáforos que se regulam sozinhos de acordo com o fluxo de veículos na via.

No restante da cidade, o novo contrato prevê apenas a manutenção dos semáforos. A cidade foi dividida em sete lotes regionais, e cada empresa que ganhar a licitação ficará responsável por uma dessas áreas. 

A contratação de modernização e manutenção ocorre após um apagão do sistema logo no início da gestão João Doria, em 2017. A gestão alegou ter sido pega de surpresa com o fim do contrato de manutenção que existia na cidade. Durante meses, São Paulo conviveu com grande parte dos equipamentos apagados ou com piscantes.

Uma equipe reduzida de técnicos da CET nas ruas tentava dar conta do alto número de falhas. Enquanto uma solução não era tomada, a companhia chegou a bloquear cruzamentos com cavaletes e cones.

O problema só começou a ser solucionado quando três empresas venceram uma licitação para fazerem a manutenção da rede. O processo foi conturbado, rendeu a carta de um cônsul ao então prefeito Doria e até a análise preliminar de um desembargador de que a licitação tinha indícios de direcionamento.

À época, a gestão Doria defendeu o certame. Chegou também a anunciar que uma futura modernização dos semáforos de São Paulo contaria com recursos privados, numa PPP. O projeto, porém, não avançou. 

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