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Conter barulho dos ônibus é chave para moradias próximas

No exterior e no Brasil, há muitos exemplos de como manter terminais escondidos

São Paulo

Se as pessoas moram em cima de estações de metrô e não se incomodam, porque não poderiam viver em cima de terminais de ônibus? Essa resposta depende de como lidar com o barulho.

Os motores a diesel roncam alto a cada acelerada. Como ex-vizinho de um corredor de ônibus, lembro como o ruído constante atrapalha a concentração e marca o ritmo do dia. O barulho sobe e desce com os horários de pico, até perder força por volta das 22h. Sossego para valer só da meia-noite às 4h, e aos domingos.

Os ônibus tendem a ser silenciosos quando novos, mas seu ruído aumenta com o passar dos anos. Uma das razões é a falta de manutenção. Isso poderia ser fiscalizado pela prefeitura, assim como a fumaça dos escapamentos.

Dois ônibus, um cinza e outro vermelho, em terminal; pessoas atravessam faixa de pedestres
Movimentaçao na plataforma do Terminal Bandeira. - Rivaldo Gomes/Folhapress

Paredes grossas e janelas antirruído podem resolver a questão de um lado. De outro, falta a esperada transição para veículos elétricos e silenciosos, que há décadas são testados em São Paulo, mas não conseguem passar disso.

Empresas chinesas entraram neste mercado e prometem baratear a tecnologia. Nos EUA e na Europa, frotas de veículos híbridos e mais silenciosos são a regra na maioria das cidades.

No exterior e no Brasil, há muitos exemplos de como manter terminais escondidos. Em Paris, a rodoviária de Bercy fica embaixo de um parque. Em Toronto, há terminais sob prédios. Nova York tem duas estações de trem gigantescas, a Grand Central e a Penn Station, no subsolo e que têm entradas e saídas que se estendem por várias quadras.

Usar esse terrenos para outros fins é um caminho para realizar um sonho de qualquer passageiro que mora onde os ônibus vindos do centro não chegam: fazer o trajeto com uma viagem só.

Enterrar essas estruturas também ajudará a melhorar seu entorno. Os arredores dos terminais Bandeira, Princesa Isabel e Dom Pedro II, no centro, são pouco convidativos para andar à noite, assim como em terminais na periferia.

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