Uber é a única empresa a apresentar proposta para operar ciclofaixas de domingo em SP

Programa Ciclofaixa de Lazer estava sem patrocínio e não funciona desde setembro

São Paulo

A Uber, empresa de transporte por aplicativo, foi a única companhia a apresentar uma proposta para administrar os 117,7 quilômetros de ciclofaixas especiais de domingos e feriados em São Paulo.

Os envelopes com as propostas foram abertos nesta segunda (17), e só a Uber manifestou interesse. Agora, o projeto apresentado pela companhia precisa passar por avaliação técnica da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes e da CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana).

Em troca do patrocínio, a empresa ganha a possibilidade de expor sua marca nas ciclofaixas da cidade. Mas a proposta pode ser rejeitada se não estiver em conformidade com o que determina a regulação da publicidade no município, por exemplo.

O programa Ciclofaixa de Lazer foi criado em 2009 e reservava uma faixa do trânsito para bicicletas aos domingos e feriados em 117 km de vias. Desde 1º de setembro, porém, as ciclofaixas não são ativadas.

O programa era patrocinado pela Bradesco Seguros, que bancava a disposição de cones, funcionários em todos os cruzamentos para garantir a segurança de ciclistas e 50 mecânicos. Em 25 de agosto, a empresa interrompeu a parceria.

A prefeitura abriu, na sequência, concorrência para operar de forma emergencial o programa e anunciou que as faixas voltariam já em novembro, mas as empresas postulantes não se adequaram à proposta e o programa continuou desativado.

Em fevereiro deste ano, a gestão Bruno Covas (PSDB) abriu novo chamamento, que a Uber atendeu agora. A proposta da empresa ainda não foi aberta ao público, mas a minuta do edital prvia a ativação das ciclofaixas por 62 dias ao longo de 2020, com custo estimado de R$ 22,2 milhões —R$ 360 mil por domingo ou feriado.

A Uber tem avançado por frentes além do transporte por carros. Além de oferecer patrocínio para o programa de ciclovias de fim de semana (a troco de dispor sua marca por todo o trajeto), a companhia tem avançado no mercado de bicicletas e patinetes elétricos —a despeito do recuo de outras companhias do setor, como a Grow, que tirou os patinetes de 14 cidades do país.

No fim do ano passado, a Uber fechou parceria com o Governo de São Paulo e passou a exibir, no aplicativo, opção de viagens por transporte público (ônibus, trens e metrô), com horários de partida, chegada e caminhada para os pontos de embarque e desembarque.

Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a capital paulista tem 473,7 quilômetros de ciclovias permanentes, além de 30,3 quilômetros de ciclorrotas —vias sinalizadas onde carros também podem circular.

Depois de três anos, a prefeitura voltou a expandir a malha cicloviária fixa da cidade (ciclofaixas que funcionam em todos os dias da semana, e não apenas aos domingos e feriados). 

Em dezembro do ano passado, a gestão Bruno Covas anunciou um novo plano cicloviário, com construção de 173 quilômetros de novas faixas e reforma de 310 quilômetros dessas vias. A gestão, porém, retirou 12 km de faixas já existentes —no que chama de "remanejamento".

Apesar da expansão da malha, foram fechados dois bicicletários públicos em importantes rotas de ciclistas na capital paulista: o bicicletário da Praça dos Arcos, no fim da avenida Paulista, e o bicicletário do metrô Paraíso, ambos administrados pela Tembici com apoio da prefeitura. Estacionamentos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) também perderam 70 de suas 85 vagas para bicicletas.

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