Descrição de chapéu Coronavírus

Quais são os protocolos para profissionais que trabalham com suspeitas e casos de coronavírus

Hospitais adotam dois tipos de equipamentos de proteção, e higienização de superfícies é reforçada

São Paulo

Com a chegada do coronavírus, protocolos de proteção para os profissionais de saúde foram reforçados nos ambientes hospitalares.

A Covid-19 não provocou a criação de novas regras nesses lugares. A limpeza das superfícies e os equipamentos de proteção, por exemplo, já existiam enquanto padrão nos hospitais. No entanto, pela capacidade do vírus de sobreviver em superfícies inanimadas e pelo crescimento de casos no país, todos os procedimentos foram reforçados.

Além do álcool em gel distribuído por todos os setores do hospital, a paramentação de proteção para os profissionais de saúde passou a ser adotada já na triagem, explica Moacyr Silva Junior, infectologista do hospital Albert Einstein.

“Hoje, tudo pode ser Covid-19 [entre pacientes com sintomas respiratórios]. Por isso, todo profissional vai atender os pacientes com a paramentação”, afirma.

O equipamento de proteção individual é dividido em dois tipos principais: um para procedimentos que podem ter transmissão por gotículas, como em triagem ou consultas, outro para os que podem produzir aerossol, como intubação, coleta de swab nasal e broncoscopia.

Neste segundo caso, o equipamento é reforçado, já que o nível de exposição do profissional ao vírus aumenta.

Segundo a padronização da Organização Mundial da Saúde (OMS), para a primeira circunstância, devem ser usados óculos, máscara, avental, luva e gorro.

Já nos procedimentos que possam produzir aerossóis, o avental ou o capote devem ser impermeáveis e de mangas longas, o óculos é substituído por um protetor facial —espécie de máscara de soldador— e as máscaras respiratórias são dos tipos N95 ou PFF2, que têm um poder de filtração mais intenso. Nesses casos, também é recomendado o uso de botas e macacão.

O segundo procedimento hospitalar que foi reforçado durante a pandemia é a higienização.

“As superfícies hospitalares são extremamente perigosas do ponto de vista do risco de contaminação”, conta José David Urbaez, infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “O vírus fica nesses ambientes com viabilidade de transmissão. Tão importante quanto todo o conhecimento tecnológico é a equipe de limpeza”.

Em superfícies inanimadas, como as de metal ou madeira, ele pode durar de três a quatro dias, afirma o infectologista.

A higienização permanece sendo feita com álcool 70% e detergente enzimático, mas é repetida muitas vezes ao dia em todos os suportes possíveis: mesas, cadeiras, maçanetas, televisores, telas de computador etc.

Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), órgão que representa um braço da OMS nas Américas, conta que cada país e cada hospital define normas para isolamento de acordo com suas características.

A regra geral diz para evitar que haja transmissão dentro do ambiente hospitalar, afirma Barbosa. É o caso, por exemplo, de tentar manter uma distância mínima de um metro entre as pessoas e reforçar a higienização das mãos de todos os presentes no local.

“Há hospitais em que já na triagem pacientes com sintoma respiratório são colocados em uma área específica, por exemplo. São estratégias que estão sendo utilizadas para evitar que haja infecção”, diz o vice-diretor da Opas.

Outro aspecto fundamental nesse cenário de pandemia, além da proteção física e cuidados de higienização, é a saúde mental dos profissionais de saúde, afirma Barbosa.

“Eles têm que continuar trabalhando em uma situação muito desafiadora. Em cada unidade, estratégias de bem-estar, de como lidar com o estresse, são extremamente úteis para garantirmos que todas as redes continuem trabalhando.”

É importante, cita o vice-diretor, criar um ambiente de apoio e um canal para tirar dúvidas, como sobre retornar para casa sem risco de transmissão do vírus para os familiares.

Raquel Dilguerian, gerente médica de saúde populacional do Albert Einstein, que coordena o programa voltado para esse aspecto na instituição, conta que ali tem sido sistematizado um plano de acolhimento e escuta dos profissionais que participam da operação.

Isso envolve atendimentos remotos, envio de materiais como podcasts e videoaulas, meditação e processos de escuta empática, explica Dilguerian.

“O burnout é a falência do sistema de contenção. A gente está trabalhando nesse sistema, com atenção primária”, afirma.

“Em relação à epidemia, para quem é da área da saúde e já estava trabalhando no limite, o susto é grande. Neste momento, precisamos ter gentileza, paciência, e, com essas ferramentas, vamos tentando costurar e manter todo mundo em pé.”

Quando esses profissionais saem do ambiente hospitalar, é importante seguir as recomendações gerais: lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel e limpar as superfícies, como as maçanetas. Há, no entanto, cuidados reforçados que podem ser adotados para minimizar ainda mais o risco de transmissão nas residências.

Luciano Azevedo, presidente do Instituto Latino Americano da Sepse (Ilas) e intensivista do hospital Sírio-Libanês, sugere separar exclusivamente para o plantão um par de sapatos, que deve ser deixado no hospital e tomar um banho antes de sair do hospital e outro ao retornar à casa.

Ele também recomenda uma limpeza frequente de equipamentos pessoais como celular e crachá, que pode ser feita com álcool isopropílico.

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