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PM de São Paulo terá treinamento para evitar casos de violência

Programa batizado de Retreinar prevê reforço do que já é ensinado aos agentes

São Paulo

A Polícia Militar do estado de São Paulo passará por um novo treinamento a partir de julho para diminuir a violência, afirmou o governador João Doria (PSDB) nesta segunda-feira (22), em entrevista coletiva.

O programa começará no quartel do comando geral e depois será implementado na Academia da Polícia Militar do Barro Branco.

Segundo o governador, o programa batizado de Retreinar será feito para "evitar que esse 1% de maus policiais que insistem em usar a violência desnecessária junto à população possa compreender que isso não é aceitável na PM do estado de São Paulo".

O programa, no entanto, não prevê novos protocolos, mas sim o reforço do que já é ensinado à Polícia Militar.

"Os valores que regem a Polícia de São Paulo, que são respeito aos direitos humanos, gestão, trabalhar com as melhores práticas, serão reforçados, serão passados novamente para reavivar", disse Coronel Alvaro Camilo, secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública.

De acordo com Camilo, coronéis serão os primeiros reunidos no programa e, em torno de 15 a 20 dias, o treinamento chegará aos sargentos, cabos e soldados "para que todos relembrem o que aprenderam nas escolas: a proteger a tratar as pessas como gostariam de ser tratados".

Sobre os casos de violência policial, o governador afirmou que os policiais com mau comportamento representam menos de 0,4% da PM.

"Isso confere que não há qualquer tipo de movimento, práticas crescentes. Faz parte, infelizmente, de uma média que temos que baixar, reduzir, e, se possível, eliminar", disse.

O anúncio do treinamento foi feito após reportagem da Folha mostrar que os recorrentes casos de violência envolvendo policiais militares de São Paulo têm ligação direta com a distribuição do efetivo que provocou uma espécie de apagão no comando operacional na corporação paulista, com déficit de tenentes e sargentos.

Das 2.961 vagas para os tenentes existentes na corporação, há um déficit de 450 cargos (15%), cerca de duas vezes a média de formação anual da academia do Barro Branco, a escola de oficiais da PM paulista.

Em meio à onda de protestos contra racismo e violência policial nos Estados Unidos, mobilizada pela morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial, o caso de Guilherme Silva Guedes, 15, ganhou repercussão no Brasil.

O adolescente foi encontrado morto em Diadema na última segunda-feira (15), após ter sido sequestrado. A Polícia Civil investiga a participação de dois policiais militares na morte.

Moradores da região protestaram contra a morte de Guilherme, e vídeos feitos por testemunhas e divulgados em redes sociais mostram policiais militares agredindo os manifestantes, supostamente da Vila Clara, na zona sul de São Paulo, em um desses atos.

Este foi o terceiro caso de violência envolvendo policiais militares desde o fim de semana do dia 15, quando 14 policiais foram afastados suspeitos de agressões durante abordagens.

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