Descrição de chapéu Coronavírus

De longe, mãe viu filho com paralisia cerebral superar Covid-19

Filho de Terezinha vive na Casas André Luiz, instituição que registrou mais de cem casos de coronavírus

São Paulo

Quando soube que seu filho Dillan Sanches do Nascimento, 26, estava internado na UTI com Covid-19, Terezinha Sanches do Nascimento teve medo e chorou. Além do temor óbvio da morte, ela ficou aflita com o risco de nem poder dizer adeus.

“Passam mil coisas na cabeça, eu fiquei com medo dele não resistir e eu não me despedir”, relembra.

Dillan tem paralisia cerebral, deficiência visual e vive na Casa André Luiz desde os 12 anos. Terezinha e seus outros filhos costumavam visitá-lo todos os finais de semana e sempre que surgia uma brecha a mãe dava uma “passadinha na instituição”. “É pele, é cheirinho, existe uma ligação muito forte entre mãe e filho”, diz.

Devido a pandemia do coronavírus, as visitas na instituição foram suspensas. Por isso que, mesmo após Dillan se recuperar da Covid-19, Terezinha ainda não pôde ver seu quarto filho.

“Ele sente muita falta da gente, eu tinha medo dele ficar doente de tristeza”, diz a mãe.

Quando o filho se recuperou, recebeu um vídeo dele tendo alta da UTI em meados de maio. “Ele ficou muito ruim, a médica dizia que não tava bem, achei que dessa vez eu fosse perder meu filho, mas essa foi mais uma batalha que ele venceu”, afirma a mãe.

O encontro entre os dois só deve acontecer a partir do dia 20 de julho, quando a instituição prevê reabrir para visitas. Todos terão a temperatura aferida e poderão ficar apenas poucas horas.

“Nem acredito que vou poder apertar as bochechas dele”, diz.

Dillan foi um dos cem pacientes infectadas pela Covid-19 que vivem na instituição Casas André Luiz ---cinco morreram. Ao todo, a instituição cuida de mais de 550 pacientes.

Roberta Aparecida Pedroso, cardiologista e diretoria técnica e clínica da instituição, diz que os pacientes começaram a manifestar sintomas em um final de semana no final de abril. “Foi um período bem difícil, pois foi um caso atrás do outro”, relembra ela.

Ela acredita que a infecção tenha ocorrido por meio dos profissionais da saúde que trabalham na instituição e em outros hospitais. Segundo Pedroso, todos usam os equipamentos de proteção individual.

O jovem Dillan, 26, junto com a sua mãe Terezinha
O jovem Dillan, 26, junto com a sua mãe Terezinha - Arquivo Pessoal

A maioria dos pacientes que vivem na Casa André Luiz tem comorbidades, muitas delas relacionadas a complicações pulmonares, por isso o o temor dos responsáveis pelo local era de que eles não resistissem ao vírus. Além disso, cerca de 50 profissionais da saúde testaram positivo.

Para evitar a contaminação ainda maior, a instituição logo isolou os pacientes que manifestavam sintomas da Covid-19.

Daniela Silvestre trabalha na área institucional da Casas André Luiz e afirma que a instituição tinha um programa de voluntários ativo, com a projetos e padrinhos que costumam visitar aqueles que não tem mais a família presente.

“Eles já vivem de certa forma num isolamento, tem paciente que mora aqui há 50 anos, então essas atividades externas são muito positivas e sentem muita falta”, diz Silvestre.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a instituição tem retomado aos poucos a educação física e terapias. Por ali, os bazares, uma das maiores fontes de renda da Casas André Luiz, foram fechados e a instituição calcula que desde março tenha deixado de captar cerca de R$ 4 milhões mensalmente.

A pandemia encareceu custos comremédios e equipamentos de proteção individual. A casa, fundada em 1949 como um centro espírita, é uma instituição filantrópica, financiada com doações de pessoas físicas, ajudas e patrocínios de empresas. Neste site (casasandreluiz.org.br) é possível obter informações para doar.

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