Descrição de chapéu Coronavírus

Marido de idosa morta por Covid-19 após ter cura celebrada em hospital também morre infectado

Família acredita que Edvaldo Pereira dos Santos, 94, tenha sido contaminado quando a mulher foi para casa após ter alta

Rio de Janeiro

O marido da idosa de 92 anos que morreu com Covid-19 depois ter sido homenageada por cura em um hospital do Rio morreu na última segunda-feira (10), também infectado pela doença.

Edvaldo Pereira dos Santos, 94, que estava internado no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na zona norte da cidade, morreu 21 dias após sua mulher, a dona de casa Rosa Neves.

Eliene Pereira dos Santos, 66, filha do casal disse que Edvaldo foi infectado pela mulher. Eliene afirmou acreditar que a idosa entrou no Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador, na zona norte, apenas com outro problema de saúde e acabou contraindo a Covid-19.

No dia 1º de julho, a idosa recebeu uma placa dizendo “Eu venci a Covid” ao obter alta no Evandro Freire. No entanto, depois de retornar para casa, voltou a ser internada e acabou morrendo vítima do novo coronavírus no dia 20 de julho.

idoso de camisa branca e preta abraçado a idosa com rosa de plástico na mão
Rosa Neves, 92, com o marido, Edvaldo dos Santos, 94, que morreu na última segunda-feira (10) contaminado pelo novo coronavírus - Arquivo pessoal

“Meu pai ficou muito preocupado com a minha mãe. Eles iriam fazer 70 anos de casados. Nunca ficaram separados. A morte dela foi um grande baque para ele”, conta Eliene, lembrando que o pai também sofria de problemas cardíacos.

Segundo ela, nove pessoas da família que tiveram contato com o casal foram infectados pela Covid-19. Antes de ser internada, Rosa não teve contatos fora de casa. Os idosos faziam o isolamento social, acompanhados apenas da filha Eliene.

“Meu pai era um homem apaixonado pela esposa, filhos e a família. Era abençoado por Deus. Tenho muitas saudades deles”, disse. Os idosos deixaram 8 filhos, 13 netos e sete bisnetos.

Edvaldo foi internado no último dia 24. Antes de ir para o Ronaldo Gazollla, ele passou pela UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Tijuca, na zona norte, e pelo Hospital de Campanha do Leblon, na zona sul.

Na ocasião da morte de Rosa, a direção do Evandro Freire informou, por meio de nota, que a idosa deu entrada no hospital em 24 de junho, apresentando sintomas compatíveis com os da Covid-19, como comprometimento dos pulmões. Exames realizados, incluindo tomografia, indicavam que ela poderia estar infectada pelo vírus e, diante disso, foi tratada como paciente com suspeita da doença.

“O tratamento de dona Rosa seguiu rigorosamente o protocolo do Ministério da Saúde —que determina que todo caso suspeito seja tratado como tal, independentemente do resultado do exame específico para detectar o vírus”, disse a nota.

Ainda segundo a direção do hospital, a melhora da idosa foi comemorada como uma vitória sobre a Covid-19, doença para qual estava sendo tratada, num gesto de carinho por parte da equipe de profissionais de saúde.

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