Descrição de chapéu machismo

Mais de dez cidades têm atos pedindo justiça para Mariana Ferrer

Acusado de estupro foi absolvido e a jovem foi hostilizada durante audiência

São Paulo

Mais de dez cidades brasileiras tiveram atos em apoio à catarinense Mariana Ferrer e com cobranças por justiça para a jovem. Em todas as regiões do país foram registrados protestos de rua.

O caso da influenciadora digital catarinense Mariana Ferrer, que acusa o empresário André de Camargo Aranha de estupro em um clube de luxo há dois anos, gerou revolta e mobilizou as redes sociais durante toda a semana com protestos virtuais e atos também em outros países.

Neste domingo (8,) o ato em São Paulo se concentrou no vão-livre do Masp e depois seguiu pela rua da Consolação, na região central da cidade. No sábado (7), outras cidades paulistas, como Campinas e Vinhedo, também já tinham registrado protestos.

Os atos foram organizados nas redes sociais. Uma das páginas, intitulada “Na rua por Mariana Ferrer” e que reuniu mais de 30 mil seguidores, informava que as ações estavam marcadas em mais de 50 cidades.

As manifestações, feitas em sua maioria por mulheres, pediam não só justiça para a jovem mas também ações de enfrentamento à violência contra a mulher e contra o machismo. Muitas das participantes carregavam cartazes ou vestiam camisetas com frases como “lute como uma mulher” e “nada justifica um estupro”.

Também foram registrados atos em Fortaleza, Salvador, Florianópolis, Resende, Joinville, Maceió, Recife, Criciúma, Goiânia e Brasília.

Ferrer diz ter sido dopada e estuprada pelo empresário em uma festa na casa de eventos Café de La Musique, em Florianópolis. O promotor do caso, Thiago Carriço de Oliveira, porém, afirmou que não houve dolo (intenção) do acusado porque não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que a jovem não estava em condições de consentir a relação.

Segundo Oliveira, empresário não teve intenção de estuprar. “Como não foi prevista a modalidade culposa do estupro de vulnerável, o fato é atípico”, escreveu o promotor em sua argumentação.

A conclusão do juiz foi de que "não há provas contundentes nos autos a corroborar a versão acusatória". A sentença reconhece que “há provas da materialidade e da autoria, pois o laudo pericial confirmou a prática de conjunção carnal e ruptura himenal recente”.

Contudo, registra o magistrado, “pela prova pericial e oral produzida considero que não ficou suficientemente comprovado que [Mariana] estivesse alcoolizada –ou sob efeito de substância ilícita– , a ponto de ser considerada vulnerável, de modo que não pudesse se opor a ação de André de Camargo Aranha ou oferecer resistência”.

O juiz faz essa afirmação embasado nos exames de alcoolemia e toxicológico realizados menos de 24 horas depois do episódio, que apresentaram resultados negativos. Ou seja, no processo a Justiça entendeu que, de fato, houve a ruptura himenal da jovem, mas que não há provas de que isso tenha sido resultado de um ato de violência nem sob alegado estado de vulnerabilidade ante a intoxicação por alguma substância colocada em sua bebida ou comida.

Ao aceitar o pedido de absolvição, o juiz Rudson Marcos concordou com a tese do promotor e, alegando o respeito ao princípio da dúvida em favor do réu, afirmou que é “melhor absolver cem culpados do que condenar um inocente”.

O caso também gerou revolta depois da divulgação pelo site Intercept de imagens de parte da audiência . Nelas, o advogado de defesa de Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, exibe cópias de fotos sensuais produzidas pela jovem quando era modelo para reforçar o argumento de que a relação foi consensual e descredibilizar Ferrer.

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