Descrição de chapéu Obituário Marly Calçavara (1952 - 2020)

Mortes: Através da dança transformou as dores em arte

Marly Calçavara morreu no mesmo dia que Fidel Castro, um de seus ídolos políticos

São Paulo

Para a bailarina Marly Calçavara, qualquer pessoa, independentemente do seu tipo físico, poderia dançar. Livre de preconceitos, ela acreditava no potencial dos alunos.

“A Marly adorava transformar os corpos e a cabeça das pessoas e essa transformação ficava muito evidente em suas aulas”, conta a sobrinha, a jornalista e atriz Katia Calsavara, 42.

Marly nasceu e viveu na zona norte de São Paulo. De criança foi aprovada na Escola de Dança do Theatro Municipal de São Paulo e lá se formou em balé clássico. A mãe, Leta Calçavara, que trabalhava como costureira, produziu a maioria dos figurinos para as suas apresentações.

Marly Calçavara (1952-2020)
Marly Calçavara (1952-2020) - arquivo pessoal

Ainda jovem, Marly acatou a sugestão do professor de dança Mozart Xavier e trocou Calçavara por Zavar.

O sonho de ter a própria academia começou pequeno, em uma sala da casa onde morava. Com o passar dos anos cresceu e tornou-se um centro de arte, que oferecia aulas de dança e música. Centenas de bailarinos passaram por lá.

Marly Zavar ganhou fama em São Paulo. “Ela foi uma das primeiras bailarinas, em 1987, a ir para Cuba pesquisar a metodologia cubana de balé para introduzi-la no Brasil”, conta a sobrinha Katia.

Marly chegava a lecionar mais de oito horas diárias. Mesmo nos dias difíceis, colocava a sapatilha e ia dançar. Transformava suas dores em arte.

Como era raro homens procurarem aulas de balé, em sua escola, oferecia bolsas de estudo gratuitas para este público.

Ao encerrar as atividades no centro de artes, Marly continuou com as aulas de forma autônoma.

Longe das pontas dos pés entrava em cena a feminista, alto astral e corintiana fanática.

Formada em filosofia pela USP, era ligada à política e de esquerda.

Por ironia do destino, Marly morreu no dia 25 de novembro, mesmo dia que Fidel Castro, um de seus ídolos políticos.

Um câncer no pulmão a levou aos 68 anos. Separada, deixa as filhas Vanessa, Sandra, Fernanda e Helen, seis netos e três sobrinhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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