Descrição de chapéu Coronavírus

Secretário de Paulo Câmara é alvo de operação da PF que apura desvios no combate à pandemia

Renato Xavier Thiebaut comanda o Gabinete de Projetos Estratégicos do governo de Pernambuco

Recife

O chefe do Gabinete de Projetos Estratégicos do governo de Paulo Câmara (PSB), Renato Xavier Thiebaut, foi alvo na manhã desta quinta-feira (10) de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal. O cargo tem status de secretário de estado de Pernambuco.

A operação denominada Articulata é um desdobramento de investigações deflagradas em junho deste ano que apuram esquema milionário de direcionamento de licitações na compra emergencial de materiais médicos para utilização no combate à pandemia do novo coronavírus.

Ao todo, foram cumpridos nesta quinta 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Recife, Olinda, Camaragibe, Itapissuma, Gravatá e Ipojuca. As diligências foram realizadas em sedes de empresas, endereços residenciais e em um órgão público.

As ordens judiciais foram expedidas pelo TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região). A Polícia Federal não divulgou os nomes dos alvos. A investigação, de acordo com a Polícia Federal, teve início em junho deste ano a partir da análise dos materiais apreendidos na primeira fase da operação denominada Casa de Papel.

De acordo com a PF, os policiais encontraram indícios de participação de pessoa com prerrogativa de foro no esquema de corrupção, organização criminosa e favorecimento em licitações.

A operação Casa de Papel foi deflagrada no dia 16 de junho pela Polícia Federal em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União) e com o MPF (Ministério Público Federal).

Após análise de documentos, foi constatado pela investigação que uma empresa contratada pelo esquema fraudulento pertencia a um grupo econômico do setor gráfico, que estaria sendo beneficiado com contratos públicos milionários há mais de uma década.

Na época foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, tanto nas prefeituras quanto na sede da empresa e nas residências de seus sócios. Os contratos, feitos com dispensa de licitação, eram das prefeituras de Recife, Olinda, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Juntos, eles equivalem a um valor aproximado de R$ 9 milhões.

“A operação de hoje é um desdobramento (da Casa de Papel). Um dos investigados, apontado como possível arrecadador de propina, a despeito de ele ter tentado sabotar a investigação ao apagar o conteúdo do celular, recuperaramos boa parte [do conteúdo]”, disse a delegada Andrea Pinho.

Ela identificou um vínculo estranho entre ele e o alvo com prerrogativa de foro. “Eles conversaram diversas vezes na data da deflagração da operação policial, às 6h da manhã”, declarou a delegada.

Ela afirmou, sem apresentar detalhes, que constatou encontros fora da agenda e sem motivo aparente entre o alvo com prerrogativa de foro e vários fornecedores do estado. “Diante das evidências, entendemos pela necessidade de aprofundar a investigação”, concluiu.

No fim da tarde desta quinta, o governo de Pernambuco se manifestou por meio de nota oficial. "Embora não tenha conhecimento de qualquer detalhe sobre a operação deflagrada pela Polícia Federal, o governo de Pernambuco afirma a disposição de prestar os esclarecimentos necessários, como sempre tem feito, por todos os órgãos de controle e fiscalização."

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