PM me disse que até mesmo vereadora poderia ter ilícito na bolsa, diz parlamentar negra revistada

Política do PSOL foi abordada em protesto contra tarifa para idosos e vê seletividade racial na ação

São Paulo

A vereadora paulistana Luana Alves (PSOL) afirma ter sido revistada por policiais nesta quarta-feira (3) durante um protesto contra o fim da gratuidade para idosos entre 60 e 64 anos no transporte público de São Paulo.

O ato, que tem entre os organizadores o MPL (Movimento Passe Livre), acontece no começo da noite desta quarta em frente à Prefeitura de São Paulo.

Negra, Luana afirma ter sentido seletividade racial na ação dos policiais, que não estariam revistando pessoas brancas próximas. "É um ato superpacífico. Falei que era vereadora. E me falaram que mesmo uma vereadora poderia ter algo ilícito na bolsa", relata.

Luana foi eleita pela primeira vez nesta legislatura e é a líder do PSOL na Câmara. Segundo ela, toda a sua equipe, formada por pessoas negras, passou pela mesma situação. "No geral foram bastante brutos".

A reportagem procurou a Polícia Militar no começo da noite e, assim que a corporação se manifestar sobre o assunto, incluirá posicionamento da corporação nesta reportagem.

Luana Alves durante posse do prefeito Bruno Covas (PSDB), na Câmara, em janeiro
Luana Alves durante posse do prefeito Bruno Covas (PSDB), na Câmara, em janeiro - Zanone Fraissat/Folhapress

A Polícia Militar diz que acompanhou o ato e que montou pontos de bloqueio e fiscalização ao longo da região "a fim de garantir a segurança de todos, participantes ou não da manifestação".

Segundo a instituição, mediadores também participaram do policiamento a fim de evitar a depredação do patrimônio público e atos de violência.

A PM afirmou ainda que "duas mulheres que investiram contra os policiais foram detidas por desacato e resistência e encaminhadas ao 2º Distrito Policial, onde a ocorrência será registrada".

"A instituição ressalta que a Corregedoria está à disposição para registrar e apurar toda e qualquer denúncia ou queixa contra seus agentes", declarou.

TARIFA

Em uma ação conjunta, a Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), e o governo do estado, gestão João Doria (PSDB), anunciaram em dezembro o fim da gratuidade no transporte coletivo municipal e intermunicipal para idosos entre 60 e 64 anos.

O benefício continua valendo para quem tem mais de 65 anos, como está previsto no Estatuto do Idoso.
A gratuidade no transporte para pessoas com 60 anos ou mais começou a valer na capital e no estado em 2013, após vários protestos contra o aumento da tarifa. As leis que garantiam o benefício foram sancionadas pelo então prefeito Fernando Haddad (PT) e o então governador Geraldo Alckmin (PSDB).

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