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Com fiscalização precária, parques de SP têm aglomeração e falta de máscaras

Reportagem visitou parques nas regiões leste e sul da capital paulista

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São Paulo

Nos parques da cidade de São Paulo, parte dos frequentadores parece acreditar que a pandemia de Covid-19 acabou. O domingo de sol e temperatura agradável foram uma forte concorrência para os apelos feitos por médicos e especialistas: fique em casa, use máscara, evite aglomerações.

Pelo Plano SP, os parques estão autorizados a funcionar das 6h às 18h. Estão proibidos a realização de eventos e o uso de quadras, de equipamentos de ginástica e de playgrounds (exceto quadra de tênis).

A reportagem visitou dois parques neste domingo (2): o Ibirapuera, gerido pela Urbia Parques, e o Piqueri, de responsabilidade da Prefeitura de São Paulo, ambos com grande número de pessoas.

Movimentação no parque Ibirapuera, zona sul da capital paulista, na tarde deste domingo
Movimentação no parque Ibirapuera, zona sul da capital paulista, na tarde deste domingo - Jardiel Carvalho/Folhapress

No Ibirapuera (zona sul) foram disponibilizados álcool em gel e um termômetro para medição de temperatura em uma das entradas, mas não havia ninguém para orientar a população. As pessoas passavam sem parar.

Outra situação observada foi a falta da máscara ou o uso do acessório de forma incorreta.

As avenidas no entorno do parque também estavam lotadas de gente caminhando e de ciclistas.

No Piqueri, localizado no Tatuapé (zona leste), ninguém mede a temperatura. Sem se identificar, a reportagem conversou com funcionários. Eles disseram que a prefeitura retirou a medição.

“A gente avisa e não adianta. Tinha o termômetro de medir a temperatura, mas a prefeitura tirou há dois dias. Já pensou se entra gente com Covid no parque? O parque tem a capacidade para 3.000 e vêm 5.000. Nós somos só três para tudo isso. A minha vida está em jogo, porque tenho anemia e imunidade baixa. Tem um vigilante nosso que está na UTI por Covid-19; a menina da limpeza também. Quando eu vejo gente sem máscara, eu apito e peço para colocar, mas não adianta. E meu serviço nem é esse. Eu tenho medo, não vou mentir pra você”, relata uma funcionária.

Ao caminhar pelo Parque do Piqueri, a Folha também flagrou muitas pessoas sem máscaras ou com os acessórios no queixo. Nos dois playgrounds, havia muitos adultos e crianças aglomerados.

Além disso, os banheiros estavam sujos e havia uma pia entupida com sujeira. Em alguns, não havia papel higiênico —situações que contrariam a fala de infectologistas. Higiene é essencial para evitar a Covid-19.

Apesar das situações relatadas, a Urbia Parques afirmou que o Parque Ibirapuera respeitou todos os protocolos de segurança do Plano São Paulo.

"É exigido o uso de máscara e distanciamento social e disponibilizamos álcool em gel para o público, em diferentes pontos do parque. Trabalhamos de forma preventiva, orientando o visitante", diz parte da nota.

A empresa disse que fará nesta segunda (3) um balanço sobre o fim de semana e vai elaborar novas medidas para conscientizar a população.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo disse que estão sendo testados novos modelos de operação nos parques municipais para impedir aglomerações nos espaços e que continuam obrigatórios o uso de máscara e o respeito à regra de distanciamento social.

"É recomendado que os parquinhos infantis e equipamentos de ginástica sejam utilizados com consciência, e que os frequentadores não realizem atividades em grupo que possam causar aglomerações no interior dos parques", diz trecho da nota.

Mesmo sem verificar o local, a Prefeitura negou a o entupimento observado pela reportagem em uma das pias.

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