Descrição de chapéu interior de são paulo

Interior paulista tem falta de água e clima de deserto por causa da estiagem

Inmet emite alertas de perigo para ao menos 15 regiões de SP por conta da baixa umidade

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Tote Nunes
Campinas

A umidade relativa do ar despencou nesta segunda-feira (23) em cidades do interior de São Paulo, agravando os problemas climáticos que o estado já vive devido à falta de chuvas.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alertas de perigo para ao menos 15 regiões do estado por conta da baixa umidade. O alerta é ligado quando uma cidade registra índice abaixo de 20% —exatamente o que ocorreu em importantes regiões paulistas.

Imagem mostra ponto de captação de água no ribeirão Piraí, em Salto (SP), que teve que ser paralisado pois as bombas não conseguiam captar água
Ponto de captação de água no ribeirão Piraí, em Salto (SP), teve que ser paralisado pois as bombas não conseguiam captar água - SAAE/ Divulgação

Por volta das 15h desta segunda, Campinas registrava apenas 13,4%. Rio das Pedras estava com 14% e Paulo de Faria, na região de São José do Rio Preto, 15% —taxas próximas da situação de um estado de emergência, que é atingido quando o nível fica abaixo de 12%.

As taxas verificadas nessas cidades se aproximaram de índices verificados em áreas de deserto, onde a umidade é de cerca de 10%.

“Estamos em uma situação difícil e é preciso tomar todas as medidas de prevenção, já que a probabilidade de ocorrência de incêndios é máxima. Esta semana estamos no pior período da estiagem e há previsão de chuva somente na sexta-feira, dia 27”, disse o diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado.

Segundo ele, a umidade do ar já tem sido baixa nas últimas semanas, o que contribuiu para levar a cidade e a região a uma situação crítica.

Além da região de Campinas, de acordo com o Inmet também estão sob alerta de perigo as cidades de Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Bauru, Piracicaba, Araçatuba, Marília, Araraquara, Assis, Itapetininga. O cenário também é crítico no Vale do Paraíba, no litoral sul e na Região Metropolitana de São Paulo.

Em boletim divulgado nesta segunda-feira, a Defesa Civil do Estado informou que entre esta segunda e quinta-feira (26) as temperaturas tendem a subir gradativamente, com momentos de calor intenso em todo o estado.

Para as regiões de Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Vale do Ribeira, os termômetros poderão marcar até 38ºC, com sensação térmica acima dos 40ºC.

Já na Grande São Paulo, no Vale do Paraíba, na Baixada Santista e nas regiões de Campinas, Franca, Itapeva e Sorocaba, a temperatura máxima pode chegar a 35ºC.

Todo o território paulista está sob estado de atenção, que é quando o índice de umidade fica entre 30% e 20%.

Como não há previsão para chuvas pelo menos até sexta, a umidade relativa do ar permanecerá baixa em todas essas áreas e, com isso, o risco de incêndios vai aumentar e a seca que atinge o solo paulista deve se acentuar.

Segundo o tenente Caique Ramos do Amaral, da Defesa Civil do Estado, o número de queimadas neste ano é maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Foram 27 mil ocorrências de incêndio em São Paulo até agora, ante as 25 mil registradas em igual período de 2020.

A área atingida, no entanto, é menor neste ano. Segundo a Defesa Civil, foram 46 mil hectares queimados em 2021 (o equivalente a 64.425 campos de futebol), ante os 65 mil do ano passado (91.036 campos). Para Amaral, a redução se deu por conta da maior eficiência no combate.

“A maior parte dos incêndios florestais é decorrente da ação do homem, de maneira acidental ou intencional”, disse o tenente. Em geral, os incêndios são iniciados por conta de limpeza de terreno ou destruição de lixo, cigarros descartados acesos às margens de rodovias e balões. “A cada três balões postos no ar, dois caem acesos”, afirmou.

Os efeitos da estiagem têm trazido grandes transtornos para as populações. Na cidade de Salto, por exemplo, a empresa de saneamento interrompeu o fornecimento de água para a cidade toda no domingo (22) como uma forma de restabelecer os níveis da barragem.

De acordo com a Prefeitura, a suspensão aconteceu até as 22h e depois foi liberado o abastecimento para os grupos que nesta segunda-feira entraram na fase laranja do racionamento (24 horas com água e 24 horas sem água).

A Prefeitura de Valinhos, por sua vez, está prestes a determinar um racionamento de água. O Daev (Departamento de Água e Esgoto de Valinhos) informou que o percentual de reservação de água bruta nas barragens do município está muito baixo e o risco da adoção de um plano de racionamento é iminente.

“Enfrentamos um cenário de estiagem severa e isso é fato. Frente à soma de fatores de clima, falta de chuvas e alto consumo, Valinhos está sim caminhando ao sistema de rodízio de fornecimento de água aos bairros e novidades podem ser anunciadas nos próximos dias aos moradores”, disse o presidente do Daev, Ivair Nunes Pereira, por meio de uma nota.

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