Descrição de chapéu interior de são paulo

Avião cai em Piracicaba (SP) e mata acionista da Cosan e família

Celso Silveira Mello Filho, a esposa e três filhos morreram no acidente; piloto e copiloto também não resistiram

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São Paulo e Porto Alegre

Uma aeronave King Air 360 caiu logo após a decolagem, em Piracicaba, no interior de São Paulo, na manhã desta terça-feira (14), e matou seus sete ocupantes. Cinco dos mortos eram da mesma família.

Segundo o Corpo de Bombeiros, por volta das 9h a aeronave que levava a família do empresário Celso Silveira Mello Filho, 73, acionista da Cosan, um dos maiores grupos do setor sucroenergético no país, caiu em uma área de vegetação próxima à Fatec (Faculdade de Tecnologia), no bairro Santa Rosa, provocando um incêndio no local. Sete viaturas foram encaminhadas para a região.

bombeiro joga jato d'água em uma grande montanha de escombros
Bombeiros trabalham no local de acidente de avião, em que ao menos sete pessoas morreram, em Piracicaba, no interior paulista - Mateus Medeiros - 14.set.2021/Gazeta de Piracicaba

Celso foi o mais velho de quatro irmãos, incluindo Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da companhia

Na biografia de Rubens Ometto, "O Incorformista", publicada neste ano, o empresário conta que, na infância, o primogênito ficava acordado nas festas de Revéillon na usina da família, em Piracicaba, para depois relatar aos mais novos como havia sido o evento.

No livro, Rubens diz que eles tinham personalidades muito diferentes e complementares. Ele conta que Celso sempre gostou de jogar futebol e, nos negócios, tinha perfil operacional, de colocar a mão na massa e se dedicar às questões de recursos humanos.

Foi presidente do XV de Piracicaba entre o fim dos ano 1980 e início dos 1990.

"Ele gostava de pilotar avião, disputar corrida de carro, foi bicampeão brasileiro de autocross, um de seus filhos é tetracampeão de autocross, o outro é campeão brasileiro e sul-americano de tiro e sonha em ir para as Olimpíadas", diz o empresário no livro.

Celso protagonizou disputas familiares narradas pelo irmão no livro. Na primeira, contra o tio e os primos, ficou ao lado de Rubens. Na segunda, permaneceu com a mãe, que processou Rubens para tirá-lo do comando das empresas que mantinham na época. Foi uma batalha judicial de dois anos.

Além dele, morreram sua esposa, Maria Luiza Meneghel, 71, seus três filhos, Camila, 48, Celso e Fernando (ambos de 46), o piloto do avião, Celso Elias Carloni, 39, e o copiloto, Giovani Gullo, 24, segundo divulgaram a Cosan e a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

A aeronave tinha decolado do aeroporto da cidade paulista, com destino a Belém, segundo o Corpo de Bombeiros. À tarde, a secretaria informou que o destino seria Tocantins. A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que, por lei, planos e notificações de voo são documentos pessoais.

As chamas na área do impacto se alastraram para a vegetação de eucalipto e foram apagadas pelas equipes do Corpo de Bombeiros e por uma força-tarefa que foi para o local.

No total, cerca de cem pessoas trabalham na ocorrência, de acordo com a prefeitura, incluindo brigadistas da Hyundai, que está instalada perto do local do acidente e enviou funcionários.

Imagens registradas no aeroporto em Piracicaba por uma testemunha mostram o avião decolando e, em seguida, é possível avistar, ainda da pista, a queda e a explosão gerada por ela e os gritos de quem assiste a cena no local.

O Corpo de Bombeiros diz que há fortes indícios apontando que o avião do vídeo é o mesmo envolvido no acidente. As iniciais que aparecem na lateral da aeronave são as mesmas da matrícula na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Segundo a Anac, a aeronave estava com o certificado e a manutenção em dia.

A matrícula na agência aponta que o avião, fabricado em 2019, era da categoria de serviço aéreo privado e operado pela CSM Agropecuária Ltda. A reportagem tentou contato com a empresa, mas não obteve resposta.

Por meio de nota, o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) confirmou que investigadores do Seripa 4 (4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), seu órgão regional em São Paulo, foram acionados para apurar a ocorrência.

Entre as ações nesta fase estão identificar indícios, fotografar cenas, ouvir testemunhas e analisar partes da aeronave.

“A conclusão das investigações terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade de cada ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir os fatores contribuinte”, diz a nota do Cenipa.

O prefeito de Piracicaba, Luciano Almeida (DEM), que esteve no local da queda do avião, disse, via assessoria, lamentar o acidente. "Ficamos consternados com o acidente e, por isso, decretamos luto oficial [de três dias] no município como forma de prestar nossa homenagem neste momento tão difícil."

Segundo Raul Marinho, gerente-técnico da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), há 430 aeronaves King Air em condições de voo no Brasil, um modelo com custo médio de US$ 7 milhões (cerca de R$ 36 milhões, na cotação desta terça).

“Esse modelo é um dos mais populares do Brasil na aviação privada, principalmente com o pessoal do agronegócio, porque ele tem capacidade de pousar em pistas não preparadas, pistas curtas. É considerado um dos mais seguros que existem na categoria. O projeto dele é dos anos 1960, como é o do Boeing 737, então é um projeto que já foi muito testado e muito aprimorado”, disse.

Com a investigação ainda em fase inicial, Marinho afirma que não se pode fazer inferências sobre as causas do acidente, mas diz que a probabilidade é de falha humana.

“O índice de falhas desse motor é quase zero, é muito difícil esse motor parar, portanto, é improvável que haja questões de fabricação que tenham alguma coisa a ver com o acidente. Os fatores contribuintes devem estar relacionados à operação, à manutenção, ou aos dois, como ocorre na maioria dos acidentes aeronáuticos”, avalia.

Nesta segunda-feira (13), um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) teve falha técnica e caiu em Campo Grande (MS). A queda gerou incêndio florestal e fez o espaço aéreo ser fechado por quase três horas.

Colaboraram Joana Cunha e Marcelo Toledo

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