Segundo dia do Enem teve boa contextualização, dizem professores

Último dia do exame teve provas de ciências da natureza e matemática

São Paulo

​Boa contextualização e pouca exigência de cálculos foram marcas do segundo dia do Enem 2018, segundo avaliação dos consultores pedagógicos da SAS Plataforma de Educação. Os candidatos enfrentaram neste domingo (11) as 90 questões das provas de ciências da natureza e matemática.

No domingo passado (4), os participantes fizeram a prova de ciências humanas, linguagens e a redação, considerada trabalhosa e conteudistas.

Professores da plataforma comentaram a prova na TV Folha. Neste domingo, participaram do debate os professores Marcos Moriggi (biologia), André Guadalupe (física) e Umberto Malanga (matemática). O repórter Paulo Saldaña, da Folha, fez a mediação.

 

No geral, os docentes disseram que a prova deste último dia de Enem seguiu a tradição do Enem: algumas questões interdisciplinares, textos de apoio contextualizados com situações reais e que exigem boa interpretação de texto. Também não houve novidades com relação a temas. 

"A divisão de temas seguiu a dos anos anteriores", diz Marcos Moriggi, que classificou a prova com um nível médio de dificuldade, com algumas questões mais complexas. 

Os enunciados dos itens envolveram temas comuns ao dia a dia, como combustíveis, smartphones e games. Uma das questões pedia o cálculo de área que deveria ter o piso revestido. Outras citava o nióbio e o grafeno —reservas destes dois recursos foram defendidos em discursos feitos ao longo da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Bolsonaro criticou o Enem na semana passada porque uma das questões abordava a comunidade LGBT e disse que vai “tomar conhecimento” da prova antes de sua aplicação, o que desafia critérios técnicos e de segurança.  Ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, não quis comentar a fala do presidente eleito.

"Textos relativamente curtos, com apenas uma questão [da área de física] sem contextualização prática do dia a dia do estudante", diz o professor André Guadalupe. Segundo ele, o aluno bem informado, que lê jornal e se preparou, por exemplo, para uma boa prova de redação se deu bem também na prova deste domingo, que trouxe temas da área de exatas e biológicas. "A prova tira o rótulo que física é algo muito difícil e traz a física realmente para o cotidiano."

Para Umberto Malanga, a prova de matemática foi criativa. "O aluno teve que ter visão geral e de interpretação de texto e matemática muito importante".

O professor ainda ressaltou a parte de geometria. "Questões onde o aluno tinha que ter visão geométrica bem apurada e com poucas contas".

Guadalupe, professor de Física, também pontuou a possibilidade de resolver a prova sem a necessidade de muitos cálculos. "Na prova de física, eu não vi nenhuma questão que envolvesse mais de uma divisão, multiplicação. A parte algébrica não teve", diz. "Mas o candidato tinha que entender a situação proposta e o conceito tinha que ser muito claro ele". 

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