Descrição de chapéu Fuvest

Em 2ª fase, Fuvest levou alunos a expressar senso crítico, diz professora

Para docente do curso Objetivo, prova foi feita para selecionar bons alunos

Patricia Pamplona
São Paulo

​Os mais de 32 mil candidatos fizeram neste domingo (6) a primeira prova da segunda fase do vestibular da Fuvest encontraram no tema “A importância do passado para a compreensão do presente” para a redação uma abordagem que une perspectiva filosófica e de atualidade, de acordo com a professora Thaís Marassi Prado, do curso e colégio Objetivo.

A TV Folha a recebeu para fazer uma análise do primeiro dia da prova para os candidatos que almejam uma vaga na USP (Universidade de São Paulo). Em uma avaliação geral, ela destacou que as questões, com nível entre médio e difícil, foram elaboradas para “selecionar os bons alunos, que se esforçaram e estudaram”.

Dos 35.371 que passaram para esta fase, 7,7% não compareceram. Nesta segunda-feira (7), eles farão a segunda prova, com questões em disciplinas específicas voltadas ao curso escolhido. 

Sobre a redação, Prado destacou os textos de apoio, que traziam uma abordagem mais existencial, como o trecho de “A Vida da Razão”, de George Santayana, no qual o autor afirma que “quando a experiência não é retida, a infância é perpétua”, em referência ao progresso.

“A partir dos outros textos o candidato é levado a tecer outras considerações”, afirmou a professora. “É o momento de o aluno mostrar todo seu cabedal de conhecimento. Ele pode inclusive trazer as obras literárias para esse diálogo. É um exercício que costuma dar muito certo quando bem feito. Mostra que o aluno leu com espírito crítico.”

Nas questões dissertativas de gramática e literatura, sendo seis e quatro, respectivamente, Prado ressaltou a dificuldade posta ao candidato. “É uma prova extensa, de bastante leitura, que vai exigir uma boa escrita.”

Em gramática, a professora falou sobre a variedade de gêneros, como a tirinha da cartunista Laerte e a música de Chico Buarque. Nesta, era exigido que o aluno colocasse a letra da canção dentro do momento histórico, no caso, a ditadura militar. “Eram questões gramaticais e gêneros textuais muito curiosos.”

Já na parte que tratou a lista de livros a ser lida pelos candidatos, Prado destacou a obra “A Relíquia”, de Eça de Queirós, que pela primeira vez foi exigida. “A primeira questão foi um pouco cruel”, afirmou sobre a demanda de associar os trechos a objetos específicos do romance. “[O aluno] Precisou calma e tempo para responder.”

A prova deste ano trouxe ainda uma novidade em relação às edições anteriores, em que a segunda fase da Fuvest era realizada em três dias. Agora, a prova é apenas no domingo e na segunda-feira. Para a professora, isso pode fazer com que a redação seja um diferencial maior entre os candidatos.

O resultado dos aprovados será divulgado em 24 de janeiro, no site da fundação.

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