Em meio a corte na educação, Bolsonaro defende colégios militares em todas as capitais

Governo federal cortou 30% nos repasses de verbas a universidades federais

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

Em meio ao anúncio de bloqueio de verbas na educação, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (6) que pretende construir um colégio militar em cada capital do país.

O país tem 13 colégios militares, sendo 11 em capitais. A intenção exigiria a construção de 16 novas unidades.

"Defendemos, junto ao Ministério da Defesa e da Educação um colégio militar em todas as capitais do Brasil. Já estamos concretizando a construção daquele que seria, pela área disponível, o maior colégio militar do país na área do Campo de Marte, em São Paulo", afirmou o presidente na cerimônia de lançamento de selo e medalha em comemoração aos 130 anos do Colégio Militar do Rio de Janeiro.

"Queremos mais crianças e jovens estudando nesses bancos escolares. Respeito, disciplina e amor à pátria são fundamentos importantes desses colégios. As escolas militares honram todos os brasileiros, destacando-se nas avaliações da educação básica, algumas liderando o ranking dos estados", declarou ele.

Na semana passada, o Ministério da Educação anunciou um corte de 30% nos repasses de verbas a universidades federais, em razão de um contingenciamento de R$ 5,8 bilhões no orçamento da pasta.

O corte, contudo, atingiu também escolas de ensino básico da rede federal, como o Colégio Pedro 2°, do Rio de Janeiro.

Vizinhos ao Colégio Militar, na Tijuca (zona norte), estudantes do Pedro 2° fizeram uma manifestação em frente à unidade em que estava Bolsonaro.

PROTESTO DENTRO DO COLÉGIO

Bolsonaro encontrou um ambiente favorável dentro do Colégio Militar. Na sua chegada, aos gritos, algumas crianças o chamaram de "mito", como é conhecido entre seus seguidores.

Contudo, o presidente foi alvo de um protesto quando entrava no carro para deixar a escola.

A ex-aluna Maria Eduarda Pontes Sá Ferreira, 24, atualmente estudante de Direito da UFRJ, o chamou de "inimigo da educação pública".

"A educação pública é a base da minha vida. Hoje estou me formando em Direito e gostaria de dizer para ele que ele é inimigo da educação pública", disse Ferreira.

"Ele deveria ter vergonha de vir aqui porque aqui é um colégio que forma muita gente que vai para as melhores universidades, que são as universidades públicas", concluiu ela após seu protesto, que foi abafado logo em seguida por apoiadores do presidente.

Ferreira criticou a proposta de Bolsonaro de construir um colégio do tipo em todas as capitais do país.

"Ele não tem noção do que é um colégio militar. Não é uma estrutura barata de manter. O que ele pode investir em colégios que já existem, em vez de construir mais colégios militares, vai beneficiar muito mais estudantes", disse.
 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.