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Com parceria com hospital e barreira de acrílico, escolas de elite de SP esperam retorno às aulas

Diretores afirmam que regras devem considerar estruturas de cada colégio

São Paulo

Colégios de elite de São Paulo têm apostado em inovações tecnológicas, barreiras físicas e consultoria com hospitais famosos para voltar às aulas presenciais no começo de setembro, data sugerida pelo governo de São Paulo, mas que ainda depende de condições sanitárias para ser confirmada.

As aulas foram suspensas no fim de março, para tentar conter a pandemia da Covid-19, mas continuaram online. O governo João Doria (PSDB) estima que o retorno pode ser possível em 8 de setembro se todas as regiões do estado estiverem na chamada faixa amarela, nível em que há maior controle da doença. Mas hesita em dar o dia como certo, lembrando das pré-condicões.

Parte dos pais e professores se manifestaram contrários, mas, na opinião de diretores de colégios da rede particular com quem a Folha conversou, é possível voltar com alguma segurança.

Diretor da Abepar (associação de escolas particulares) e também diretor do colégio Móbile, na zona oeste da capital, Daniel Bresser afirma que a escola tem condições de retornar se a área da saúde do governo estadual assim considerar seguro.

Para isso, contratou assessoria do hospital Albert Einstein para elaborar um protocolo da retomada e executá-lo. "Cada escola tem que ter suas particularidades para exigir, sugerir e eventualmente oferecer ainda mais segurança para os alunos e para os colaboradores", afirma ele.

O Bandeirantes, na zona sul paulistana, foi outro colégio que contratou um grande hospital, o Sírio Libanês, que vai atuar além da Covid e operar o ambulatório da escola.

"A situação é séria. A saúde na escola antes era algo secundário. As grandes escolas tinham ambulatório e enfermeiras para atender dor de cabeça, algum machucado na educação física. Hoje passou a ser algo mais importante. O setor privado está bem preparado e temos condições de retornar até antes disso [setembro]", diz o presidente do colégio, Mauro Aguiar.

Aguiar afirma que, além da doença, um problema a se vencer é o medo. "Fizemos uma pesquisa com alunos e professores, o pessoal está com muito medo. Mas a posição do governo, de voltar com 35% da capacidade e ir aumentando, está correta, para o pessoal ter tempo de absorver as mudanças."

Para Diane Clay Cundiff, diretora do Colégio Santa Maria, também na zona sul da capital, as regras para retomada das aulas presenciais devem considerar a estrutura de cada escola.

"Nós estamos em uma área de 150 mil m², sendo 90 m² de área verde, temos muito espaço e condições para fazer atividades ao ar livre, com máscara e distanciamento. Mas nem todas as escolas têm as mesmas condições", diz a diretora, cujo colégio deve colocar até divisórias de acrílico entre as mesas dos alunos.

"Tem escola que a janela nem abre, porque o prédio foi projetado para ter ar condicionado. Deveria haver uma norma que verifica a circulação de ar em cada escola, por exemplo, e que a partir daí cada escola pudesse receber uma proporção de alunos, seja 20%, 49% ou 100%", completa.

O mesmo defende Edimara Lima, diretora da escola Prima, outra na zona sul. "As escolas têm pouca autonomia. A gente não pode, numa cidade com tanta diversidade, tem regras tão genéricas. Depende do contexto de cada lugar. Nem todas as escolas estarão preparadas", afirma.

A Prima tem condições de voltar, diz Edmiara, que ainda analisa quais protocolos para isso deve estabelecer. "Daqui até a abertura, preciso preparar as crianças, que vão encontrar uma escola diferente da que deixaram. As mais novas vão ter mais dificuldade de absorver essas mudanças, é preciso pensar nisso", afirma.

Vania Grecco, consultora de colégios particulares de São Paulo, avalia que não há condições para o retorno das aulas, que deveriam ser retomadas só no ano que vem. "Nem as crianças nem os adolescentes conseguem manter os cuidados básicos para se proteger. E [isso] pode colocar os professores e funcionários em risco", diz Grecco.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do publicado, Vania Grecco não atua mais como diretora da escola Lumiar. Ela é consultora de inovação em colégios particulares.  O texto foi corrigido.

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