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Um quarto das escolas particulares reabriu em SP; na rede municipal, foram menos de 0,5%

Covas autorizou retomada parcial das atividades na cidade a partir de 7 de outubro

São Paulo

Autorizadas a retomar parcialmente as atividades, 25% das escolas particulares de São Paulo já reabriram. Já na rede municipal de ensino, o retorno não chega a 0,5% das unidades.

Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, 600 dos cerca de 2.500 colégios privados homologaram os planos de retorno nas 13 DREs (Diretorias Regionais de Ensino). Entre as unidades municipais, só 15 das mais de 3.200 escolas (diretas e conveniadas) decidiram pela reabertura.

Entre as escolas da rede estadual, 304 das mais de 1.500 na capital optaram pela retomada parcial, o que representa 20% do total. Em todo o estado, 904 das mais de 5.500 unidades reabriram. Apesar da expectativa do governo estadual de que adesão poderia aumentar após a liberação na capital, o número é o mesmo de 15 dias atrás.

Para especialistas em educação, a diferença na adesão das escolas aprofunda ainda mais a desigualdade educacional entre alunos das redes pública e privada da cidade. Eles também afirmam que o baixo número de unidades públicas seguindo o cronograma demonstra falha da prefeitura em garantir e transmitir segurança à comunidade escolar.

O prefeito Bruno Covas autorizou todas as escolas da capital a reabrirem a partir de 7 de outubro apenas para atividades extracurriculares. Para as unidades privadas, a única restrição é que só podem receber 20% dos matriculados. Já na rede municipal, os alunos só podem ir duas vezes na semana por no máximo duas horas diárias.

A pedagoga Mônica Gardelli, que atuou na Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, diz que a diferença na regra para a reabertura pode também ter desestimulado a adesão nas unidades municipais. A prefeitura não informou por que a limitação é diferente e se estuda alterar essa norma.

“A abertura de uma escola mobiliza muitas pessoas, não apenas na unidade, mas dentro da organização familiar. Pelo quanto mobiliza de esforço, compensa abrir e correr o risco de infecção por apenas duas horas de atividades? Qual o impacto pedagógico e emocional para as crianças com tão pouco tempo?”, questiona Gardelli.

Ela lembra ainda que as famílias, que estão trabalhando em home office ou presencialmente, podem ter dificuldade em organizar uma rotina para que as crianças fiquem apenas duas horas na escola. “Depois de sete meses, os pais se organizaram para ficar todo o tempo com os filhos, ainda que não seja da melhor forma. É muito mais complicado organizar esse deslocamento até a escola para as crianças ficarem tão pouco tempo."

A disponibilidade de recursos para aumentar a segurança das escolas e fazer adaptações necessárias às novas regras sanitárias também é um fator apontado. Colégios de elite, que pressionavam a prefeitura para autorizar a retomada das atividades, contrataram hospitais privados e consultorias médicas para elaborar protocolos de higiene.

Apesar de a secretaria informar que enviou recursos financeiros para reformas nas escolas e que vai encaminhar equipamentos de proteção individual e produtos de limpeza para as que decidirem pela abertura, a maioria dos conselhos escolares defende que as medidas são insuficientes para garantir segurança.

“Esse relativo fracasso da ideia da reabertura das escolas públicas é consequência da dificuldade de segurança sanitária. A população não confia que a estrutura das escolas é segura”, diz Salomão Ximenes, professor de políticas públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC).

Para ele, a prefeitura ainda não demonstrou que todas as unidades têm condições físicas, estruturais e materiais para o retorno. A secretaria informa ter reformado 535 das mais de 3.200 escolas do município. Também diz ter enviado R$ 85 milhões às unidades para que façam diretamente compras e pequenas reformas.

Questionada sobre a baixa adesão das escolas, a prefeitura diz que o “retorno foi decidido democraticamente por pais, estudantes, professores e gestores” e que a retomada deve ser gradual, conforme orientação da área da saúde.

“Do dia 7 para 19 de outubro, houve aumento na participação de 1 para 15 escolas, aumento de 1.500%”, destaca a nota da prefeitura.

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