Festival global debate expansão do empreendedorismo de impacto

Práticas para avançar na agenda mundial nortearam painéis e workshops do evento

Betânia Lins
Florianópolis

Uma plateia heterogênea se reuniu no domingo (14), em Florianópolis, para Festival Global de Inovação Social para participar ativamente de painéis, workshops, rodas de conversa, trocas de experiência, dinâmicas de grupo, oficinas, intervenções culturais e apresentações musicais.

A palestra de abertura, Quem tem medo da polarização?, conduzida pela youtuber Jout Jout (Julia Tolezano) mobilizou mais de 900 participantes entre os membros da rede de empreendedores e público local. O evento encerrou o Global Gathering, um encontro anual da comunidade Impact Hub, organização presente em mais de cem cidades do mundo e parceria do Prêmio Empreendedor Social.

Estão abertas as inscrições no Prêmio Empreendedor Social 2019; participe

Pela primeira vez o hemisfério sul recebeu o Festival Global de Inovação Social. Segundo Gabriela Werner, diretora-executiva e cofundadora do Impact Hub Floripa, a proposta de sediar o evento que acontece há dez anos em várias cidades do mundo teve o objetivo de contribuir para gerar conexões globais para os empreendedores brasileiros e inseri-los no avanço de uma agenda de empreendedorismo de impacto no mundo.

Plateia com cerca de 400 pessoas
Festival global debate expansão do empreendedorismo de impacto, em Florianópolis - Fernando Willadino/Divulgação

“Decidimos sediar o evento com uma série de intenções, sendo a principal delas a proposta de contribuir. O Brasil e Florianópolis têm um contexto especial pontuado por diversidade, alegria e colaboração que servem ao propósito da rede. O país também reflete alguns desafios no avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)", afirma Gabriela.

"Quando falamos em empreendedorismo de impacto, em criar iniciativas, apoiar empreendedores que vão endereçar os problemas sociais e ambientais mais importantes do mundo, estamos falando de muitos dos problemas que estão no sul do mundo. E, com o festival, adotamos a abordagem de potência via empreendedorismo para debater esses temas."

A escolha de Florianópolis para sediar o Festival não é por acaso. Hoje, a rede Impact Hub conta com 667 membros na cidade –empreendedores que trabalham em um dos três espaços colaborativos. No Brasil, o movimento conta com sete unidades, em todas as regiões. No Sul, a rede tem escritórios em Florianópolis e Curitiba; no Sudeste, em São Paulo e Belo Horizonte; estão presentes ainda em Manaus, Brasília e Recife.

microempreendedores individuais

Um dos painéis do evento, Inovação e Microempreendedorismo para a Base da Pirâmide, destacou a ênfase que o Impact Hub tem dado à construção de iniciativas com parcerias locais.

Com mediação de Maíra Rodrigues, do Impact Hub Floripa, e participações de Isabel Baggio, presidente do Banco da Família; Soraya Tonelli, gerente de Mercado do Sebrae Santa Catarina, e Olívia Castro, analista de Inovação do Sebrae, o painel detalhou os avanços obtidos por meio de uma agenda de cooperação.

Para Gabriela Werner, como um movimento global de apoio aos empreendedores, o Impact Hub tem trabalhado na criação de uma agenda de cooperação translocal.

“Criamos juntos, em várias partes do mundo, programas de incubação e aceleração para empreendedores de impacto. Um exemplo é uma iniciativa de aceleração de negócios com potencial de escala global e que endereça alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", explica a diretora-executiva.

"Esse projeto foi criado em Genebra, em parceria com a Organização das Nações Unidas, e hoje está em 15 países e seis cidades brasileiras. Por fazer junto, a experiência é mais potente com o valor da rede.”

Um futuro analítico

Bruno Evangelista e Carolina de Andrade conduziram uma oficina sobre Data for Good –movimento que nasceu a partir de uma pergunta simples: se os mesmos algoritmos que nasceram para gerar lucro em grandes empresas começassem a ser usados para ampliar o alcance e o impacto de iniciativas que ajudam a sociedade?

A resposta motivou cientistas norte-americanos a criar uma mobilização que tem sido liderada, no Brasil, pela Social Good Brasil, parceira do Prêmio Empreendedor Social, e pela Fundação Telefônica Vivo.

Cerca de 60 jovens empreendedores participaram da dinâmica e puderam entender um pouco mais sobre o mundo dos dados, desafios, potencialidades e como as organizações de impacto estão se preparando para um futuro analítico.

Na percepção de Carolina Andrade, diretora-executiva da Social Good Brasil, para os empreendedores sociais, usar a ciência de dados é fundamental para a tomada de decisões que podem gerar maior ou menor impacto.

“Estamos falando de decisões alinhadas à Teoria de Mudanças, à possibilidade de aumentar a eficiência e a performance do negócio. Pensando em inovação, os dados coletados são fundamentais", afirma Carolina.

"Uma organização ou negócio orientado por dados necessariamente tem informações de qualidade em tempo real e consegue, mais rapidamente, vislumbrar mudanças de cenário que o empreendedor tem que liderar ou seguir, tendências de mercado, demandas do consumidor. E isso está totalmente associado à inovação.”

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