Três brasileiros são reconhecidos como líderes em inovação social em 2019

Grupo com 40 empreendedores sociais e representantes de setores público, corporativo e acadêmico foi anunciado na Cúpula de Sustentabilidade do Fórum Econômico Mundial em NY

Eliane Trindade
Nova York

Um novo ecossistema de líderes: 40 inovadores sociais que impulsionam mudanças para transformar a sociedade. Assim foram anunciados na manhã desta segunda-feira (23) os premiados em 2019 pela Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social, durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável do Fórum Econômico Mundial em Nova York.

Entre as lideranças reconhecidas estão três brasileiros. Roberta Faria, 38, e Rodrigo Pipponzi, 39, fundadores da Editora Mol, que criam projeto editoriais de impacto social com parte da renda revertida para causas e já distribuíram R$ 31 milhões para organizações no Brasil. Eles venceram a categoria principal do Prêmio Empreendedor Social 2018, realizado pela Folha, em parceira com a Schwab.

Rodrigo Pipponzi e Roberta Faria (centro), brasileiros premiados pela Fundação Schwab, presidida por Hilde Schwab (de azul)
Rodrigo Pipponzi e Roberta Faria (centro), brasileiros premiados pela Fundação Schwab, presidida por Hilde Schwab (de azul); à esquerda Precious Moloi-Motsepe, presidente da Motsepe Foundation - Anthony Collins/Fórum Econômico Mundial
 

O terceiro agraciado é o filósofo Roberto Mangabeira Unger, reconhecido como Líder de Conhecimento, uma das três novas categorias lançadas neste ano pela Schwab. Ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República em dois governos, o teórico social brasileiro vai se juntar à comunidade de empreendedores sociais, que ganha também representantes corporativos e do setor público.
 
"Os empreendedores sociais não estão mais trabalhando isoladamente. Reconhecemos os campeões da inovação no setor social, mas também nos negócios, no governo e na academia”, disse Hilde Schwab, co-fundadora e presidente da Fundação Schwab, durante o anúncio oficial dos 40 agraciados na plenária da Cúpula em Nova York. “Vemos a inovação social como um ecossistema de atores pioneiros com objetivos comuns.”

A lista inclui fundadores de startups, CEOs de multinacionais, representantes de governo e estrelas da academia, como Peter Senge, professor de ciências comportamentais e políticas do MIT; Christian Seelos,  diretor Global de Inovação do Impact Lab, em Stanford; além de Unger, professor da Harvard Law School.

“Nós introduzimos as novas categorias de prêmios com base no modelo intersetorial do Fórum Econômico Mundial, para que essa comunidade dinâmica construa plataformas para mudanças maiores e modelos mais sustentáveis", disse Hilde.

Os premiados foram selecionados pelos membros do conselho da Schwab em reconhecimento à sua abordagem inovadora e potencial de impacto global.

“Como parte desta comunidade vamos descobrir como podemos escalar nossa solução ao redor do mundo”, afirmou Pipponzi, que apresentou o modelo de negócios e o impacto da Editora Mol no Brasil, durante os dois dias de encontro dos membros da Fundação Schwab, no fim de semana em Nova York.

“Foi inspirador ter contato com tantas iniciativas de impacto e com pensadores do empreendedorismo social de diferente países e enxergar nesta comunidade o espaço para fazer a transformação que o planeta precisa”, avaliou Roberta.

Para François Bonnici, diretor-executivo da Fundação Schwab, os 40 líderes reconhecidos neste ano já demonstram que é possível incutir inovação na política, nas finanças e na pesquisa.

“Eles representam um novo ecossistema de líderes que estão impulsionando mudanças, transformando organizações e sistemas em direção a um futuro mais justo, inclusivo e sustentável.”

Os novos membros da Schwab foram saudados por Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e protagonista do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, em jantar de gala na noite de domingo (22). “Nós temos a habilidade de resolver esta crise climática. Não quero acreditar que nós seres humanos estamos condenados a destruir nós mesmos”, discursou Gore, para a plateia de empreendedores sociais, intraempreendedores e acadêmicos.

Ele citou o exemplo das 352 milhões de árvores plantadas na Etiópia em 12 horas em 29 de julho deste ano, numa ação chamada de legado verde. “A melhor tecnologia para barrar as mudanças climáticas já existe: são árvores”, disse Gore.

Ele encerrou a fala homenageando Hilde Schwab, à frente da fundação que criou há 20 anos, e o seu marido, Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial. “Há 50 anos, um homem fez história ao dizer ao mundo que é preciso mudar o propósito dos negócios. Parabéns Klaus Schwab”, concluiu Gore.

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