Empreendedores sociais de periferia integram a rede da Ashoka

Organização mundial de empreendedorismo social reconheceu três novos líderes pela sua atuação e impacto social positivo

São Paulo

A vencedora do Troféu Grão 2018, Germana Soares, e o fundador d'A Banca, DJ Bola, foram reconhecidos pela Ashoka, organização social pioneira no ramo do empreendedorismo social, e passaram a integrar uma rede global com mais de 3.500 líderes no mundo. Junto aos dois, o fundador do Fa.vela, João Souza, também passou a fazer parte da rede.

Os integrantes da rede de empreendedores sociais da Ashoka são pessoas da sociedade civil que estão resolvendo problemas urgentes e que apresentam potência para causar impacto sistêmico, ou seja, são capazes de influenciar políticas públicas.

Fundadora da União de Mães de Anjos, Germana Soares mobiliza centenas de mães de crianças com a síndrome do zika vírus em todo o estado do Pernambuco. 

A União pressiona o poder público para garantir o acesso dessas mães e dessas crianças a direitos e indenizações. Uma das conquistas da ONG em 2019 foi a MP de pensão vitalícia para as vítimas do zika.

Para a fundadora, a MP não atende as necessidades das mães e não mudará realidade alguma, mas é importante para que o governo assuma sua culpa sobre a doença das mais de 3.000 crianças que tiveram suas vidas prejudicadas pelo vírus no Brasil.

A ONG também promove o empoderamento feminino dessas mães, que são as maiores vítimas disso tudo, segundo Germana. "Elas deixaram de ter vida social, deixaram de ser mães de outros filhos, deixaram de ser mulheres em prol de outras pessoas", diz.

Para ela, ser parte da rede de empreendedores sociais da Ashoka é uma grande oportunidade que traz visibilidade e reconhecimento à União, além de atribuir mais valor ao trabalho e ao desempenho das mães.

"A Ashoka é uma rede poderosíssima, uma rede que de fato apoia. A troca de experiências com outros membros que estão na luta há anos nos permite crescer e ter um impacto ainda maior", afirma.

Marcelo Rocha, mais conhecido como DJ Bola, é fundador da produtora social cultural A Banca e da ANIP (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia). 

Desde 2009, atua no Jardim Ângela —bairro na periferia de São Paulo— construindo um ecossistema sustentável para as comunidades por meio da música, da cultura e de soluções criadas pelos próprios moradores.

Para Rocha, participar da rede de empreendedores da Ashoka é uma troca muito importante, pois o permite conhecer outras pessoas com propósitos parecidos e mais experiência.

Importante como a conexão que vem estabelecendo com outros empreendedores da rede é a ponte que o trabalho de DJ Bola procura estabelecer entre as diferentes realidades de São Paulo. Em programas como o Intercâmbio Social Cultural, a Banca promove encontros das "diferentes 'são paulos' dentro de uma São Paulo", como afirma o DJ.

Os intercâmbios são feitos em parceria com escolas particulares para jovens do ensino fundamental ou ensino médio. "Fazemos uma articulação na quebrada para que eles tenham uma vivência no território. Não é tour nem passeio, é uma vivência", explica o empreendedor social.

Também faz parte do trio de novos integrantes da rede o empreendedor João Souza, diretor-presidente da Fa.vela, organização que busca transformar o ciclo da pobreza em Belo Horizonte por meio da aceleração de negócios periféricos.

Souza e o negócio social têm origem na comunidade do Morro do Papagaio, na capital mineira. São elaborados planos de vida e projeções com os moradores, que buscam transformar a realidade de suas famílias e alcançar novas oportunidades.

O processo de reconhecimento da Ashoka tem duração de oito meses e inclui candidatura ou nomeação, pesquisa, visitas a campo, entrevistas, validação do impacto do empreendedor com especialistas da área, entrevista de um representante sênior da Ashoka de outro país, painel com outros empreendedores da rede e análise final do perfil por parte do conselho global da Ashoka. 

Além de já ter reconhecido 379 empreendedores sociais no Brasil, a organização também cultiva comunidades de educação transformadora, com 21 escolas reconhecidas, e de juventudes, com 19 jovens que estão promovendo mudanças sociais.

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