Hamburguerias populares geram renda e impacto social nas periferias de SP

O objetivo do Movimento Happiness é potencializar a comunidade e seus projetos sociais com parte do faturamento

São Paulo

Foi inaugurada neste sábado (14) a segunda unidade da Happiness Hamburgers, no Heliópolis —bairro na periferia da zona sul de São Paulo.

Com hambúrgueres a partir de R$ 10, o lanche leva pão da casa, 160 g de carne angus, queijo e a famosa maionese da "causa". O objetivo do Movimento Happiness, que comanda as lanchonetes, é entrar nas comunidades de todo o país, gerando emprego, renda e educação financeira.

“Queremos quebrar os muros do preconceito e construir as pontes para mostrar a força das favelas do Brasil, que movimentam bilhões”, afirma Marcus Massarenti, CEO e fundador do Movimento Happiness. Segundo os institutos Data Favela e Locomotiva, os moradores das comunidades brasileiras movimentam cerca de R$ 119,8 milhões ao ano.

A iniciativa, que nasceu em 2019, já gera impacto e é um sucesso na periferia. Na inauguração da unidade do Heliópolis, no sábado, compareceram 3.000 pessoas e foram vendidos mais de mil hambúrgueres.

Publicitário e pai de dois, Massarenti, 31, cocriou o Happiness com sua esposa, Raiza Massarenti. Mas sua trajetória como empreendedor social remonta a 2013, quando fundou, ao lado de dois sócios, o Holy Burger, hamburgueria conceituada da capital paulista.

O objetivo era vender lanches para financiar os projetos sociais que liderava, como o Um Novo Tempo, programa que levava aulas de futebol, circo e ballet para crianças em situação de rua e de invasão no centro de São Paulo.

O negócio cresceu e o impacto social também. Em 2019, Massarenti fundou, junto com o casal sócio Ricardo e Kat Brandão, a Brendan House --primeiro restaurante 100% irlandês do país, cuja proposta é usar o lucro das vendas para ajudar garotas a deixarem a prostituição em Indaiatuba (SP).

Também em 2019, o publicitário viajou pelas regiões Norte e Nordeste do Brasil em ações de impacto social, e ali enxergou o quanto o povo brasileiro sofre com a falta de conhecimento e oportunidades. Dali veio sua inspiração para criar o Movimento Happiness, que promete ter quatro restaurantes abertos até o fim de 2020, incluindo as unidades já em funcionamento na Mooca e no Heliópolis.

Hoje, 10% do faturamento líquido das hamburguerias Happiness é usado para potencializar projetos sociais locais. Para compor a equipe, são contratados jovens da região, que recebem também treinamentos de educação financeira.

Com estimativa de receber entre 4.000 e 6.000 clientes por mês, a nova loja apoiará algumas ONGs da região, como o Coletivo Transforma, que leva cultura e lazer para as crianças do Heliópolis.

“É possível, agregador e rentável empreender e ter resultados sociais e financeiros em bairros de periferia e até nas favelas”, afirma o CEO do Movimento Happiness. “Em um fim de semana no Heliópolis, recebemos aproximadamente três mil pessoas, o que demonstra a aceitação da comunidade e, consequentemente, a viabilidade do negócio.”

Para 2020, o Movimento pretende aumentar a captação de recursos vendendo kits de hambúrguer em supermercados, graças a uma parceria firmada recentemente. Com esse novo modelo de vendas e a entrada, no final de 2019, de mais um sócio investidor, Massarenti afirma que será inaugurada uma unidade em Paraisópolis, comunidade em São Paulo, ainda no primeiro semestre deste ano.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.