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Marcus Nakagawa

Como gerir o lixo em época de pandemia

Resíduos, lixo, restos, sujeiras, entulhos, detritos, refugos, sobras, despejo, ciscos. Muitos são os sinônimos, que você que está em casa observa aumentar cada dia mais.

Já parou para pensar em quanto lixo tem gerado? E mais, quanto esse número tem crescido com a quarentena? Talvez não, mas alguns números que veremos ao longo deste artigo comprovam a necessidade da gestão de resíduos em domicílios, cada um fazendo a sua parte, individualmente, ou em família. Vai que mais para frente isso não se torna cultural, não é mesmo?

Uma das questões que muitas pessoas têm perguntado é exatamente se os resíduos aumentarão na pandemia. Nas aulas online que estamos fazendo na ESPM, os alunos e alunas comentam que nunca tinham percebido o quanto de embalagens e resíduos estão gerando. Principalmente aqueles que moram nos grandes centros e pedem comida por aplicativo. Muitos sacos, embalagens de papelão e utensílios de uso de uma vez só.

Um outro fator que tem gerado o aumento do uso de descartáveis é o fato de estarmos em tempos de crise de saúde, já que tem a questão de segurança de contaminação. Porém, de acordo com algumas matérias jornalísticas, já estão sendo encontradas máscaras e luvas largadas nas ruas e nos parques. Que dureza, né?

Com certeza, nos hospitais, clínicas e na área médica todo este material que está chegando importado gerará mais resíduos. Neste caso, estes resíduos hospitalares são todos destinados para a destruição, conforme a Anvisa, sendo incinerados (assim esperamos).

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) –que possui 41 empresas associadas–, em uma carta oficial, colocou que a quantidade de resíduos domiciliares ao longo deste período será de 15 a 25% a mais, e na área de resíduos hospitalares será de 10 a 20 vezes.

O documento orienta quem está contaminado com a Covid-19 a não separar o lixo doméstico e fechar bem os sacos para não contaminar ninguém. Vale a pena ressaltar, sempre, que é um momento específico e de crise.

Na cidade de São Paulo, desde o início do pedido de confinamento, a Vigilância Sanitária recomendou que as 25 cooperativas de reciclagem da cidade suspendessem as suas atividades. Todavia, a coleta porta a porta continua na cidade com a triagem sendo feito pelas máquinas especiais.

Este não é só um caso isolado, em outras cidades a coleta seletiva foram totalmente suspensas. Uma das preocupações foi a renda dos catadores e recicladores, pois estes trabalhadores, muitas vezes invisíveis, diariamente buscam o seu sustento realizando esta árdua tarefa de tirar o que achamos que some do nada.

Porém, organizações e empreendimentos sociais, como o Pimp My Carroça, criaram uma campanha de “vaquinha” virtual para garantir uma renda mínima básica para estes catadores. Juntamente com o aplicativo social Cataki, que faz o “match” de quem tem material reciclável com quem coleta, tem quase três mil catadores autônomos, que receberão este apoio.

O Instituto Coca Cola também entrou neste movimento e criou um fundo que garantirá uma renda mínima a cerca de 11 mil cooperados e autônomos em todo o Brasil. Uma das formas de combater estes hábitos, que geram cada vez mais resíduos, é entender suas leis e ensinar as pessoas a lidarem com esta problemática.

Por exemplo, o Instituto Lixo Zero está com cursos como Gestão Lixo Zero em Condomínios e Consultores para Certificação LixoZero, para aumentar a quantidade de especialistas e profissionais na temática. Outra forma de adquirir mais conhecimento é por meio das redes sociais.

Dois sites que conheço bem e recomendo são: Uma Vida Sem Lixo, da Cristal Muniz, e o Menos 1 Lixo, da Fe Cortez, duas super influencers do bem que, por meio de suas redes sociais, dão várias dicas sobre como viver com menos resíduos e muitas outras questões de sustentabilidade.

Além destes sites, estão sendo realizadas milhares e milhares de lives nas redes sociais sobre o tema. Basta pesquisar que você, com certeza, achará algo interessante. Sim, o desenvolvimento sustentável está sendo colocado em xeque neste momento, lembrando que não questionamos só o tema do lixo, mas também as questões ligadas ao meio ambiente como um todo, os seres humanos e todo o movimento econômico que estamos passando.

Este talvez seja o momento de perguntar sobre o modelo de vida que vivemos. E os resíduos, lixos e sobras que deixamos no planeta estão totalmente ligados a isso.

Temos que repensar nosso consumo e descarte urgentemente. E criar produtos e serviços que resolvam essa adversidade. Você pode usar este tempo de reflexão da quarentena para isso.

Marcus Nakagawa

Professor da ESPM e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (Ceds), é idealizador e diretor da Abraps e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida

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