Em edição online histórica, festival traça cenários do terceiro setor na pandemia

Com tema "Ousar para avançar", evento da ABCR se reinventa para auxiliar organizações a enfrentar impactos da Covid-19

São Paulo

Foram cerca de 600 participantes e 120 horas de conteúdo na edição histórica do Festival ABCR 2020. Com mais de cem sessões e três masterclasses, o evento abordou diferentes eixos da mobilização de recursos para causas e organizações.

Devido à pandemia da Covid-19, a 12ª edição do Festival, que ocorreu da manhã de segunda (29) à tarde de terça (30), foi também a primeira integralmente online e a maior da história do evento.

Ao vivo de suas casas, mais de 150 palestrantes nacionais e internacionais se reuniram para a principal conferência de captação de recursos da América Latina.

João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da ABCR, e Marcia Kalvon Woods, presidente do conselho deliberativo da ABCR
João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da ABCR, e Marcia Kalvon Woods, presidente do conselho deliberativo da ABCR - Reprodução

Entre os temas do evento, se destacaram tributação, combate à lavagem de dinheiro e impactos da Covid-19 no terceiro setor.

Sob o tema Ousar para Avançar, a iniciativa da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) contou com organização da Necta e reuniu captadores de recursos, investidores sociais, advogados e outros especialistas do terceiro setor.

“O Festival tem a missão de reunir os principais atores que movimentam esse setor, que é fundamental para o desenvolvimento do país e para implementar políticas onde o poder público não chega”, afirma João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da ABCR.

Para Vergueiro, o principal desafio foi a adaptação da conferência ao formato online. Os obstáculos, no entanto, foram superados.

“Quando o comitê da ABCR pensou no tema ‘Ousar para avançar’, não imaginamos que cairia tão bem para 2020. O Festival foi online, foi enorme, deu tudo certo, todas as palestras foram realizadas, houve muita interação no aplicativo”, conta.

O Festival ABCR 2020 contemplou, ainda, dez eixos temáticos, eixo Escola Aberta do Terceiro Setor e sessões exclusivas para parceiros ABCR. Além disso, contou com mentorias expressas, reuniões de 45 minutos com participantes do Festival e um mentor de tema específico.

As plenárias foram as que mais repercutiram no evento, com mais de 170 participantes em cada. Entre os palestrantes, marcaram presença representantes da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, como David Hertz, da Gastromotiva, e Rodrigo Pipponzi, da Editora Mol.

Uma das plenárias abordou o recorde de doações computado durante a pandemia pela ABCR. Segundo o Monitor das Doações, o montante já ultrapassa os R$ 5,7 bilhões nesses três meses de isolamento.

O debate contou com a participação de Edu Lyra, da ONG Gerando Falcões, e de Ana Carolina Matarazzo, do Movimento Bem Maior. Junto a outros palestrantes, discutiram o impacto dessas contribuições aceleradas e maneiras de fazer a generosidade continuar após a pandemia.

O evento trouxe também investidores sociais para compartilhar com os captadores a visão de quem doa. Uma das palestras sobre o tema trouxe profissionais da Ambev, que explicaram sobre o processo de patrocínio de projetos e deram dicas para que a captação de recursos seja mais eficaz.

Conversa com investidores sociais da Ambev no Festival ABCR 2020. De cima para baixo, Carlos Eduardo Pignatari Filho (gerente corporativo de impacto social da Ambev), Richard Lee (head de sustentabilidade da Ambev) e Bruno Barroso (fundador da plataforma Prosas)
Conversa com investidores sociais da Ambev no Festival ABCR 2020. De cima para baixo, Carlos Eduardo Pignatari Filho (gerente corporativo de impacto social da Ambev), Richard Lee (head de sustentabilidade da Ambev) e Bruno Barroso (fundador da plataforma Prosas) - Reprodução

Discussões sobre tributação sobre doações e combate a fraudes no terceiro setor conquistaram uma grande audiência no evento. A plenária “Dinheiro no terceiro setor” trouxe a fala da advogada Laís de Figueirêdo Lopes, do SBSA Advogados —parceiro do Prêmio Empreendedor Social.

A especialista falou sobre o Gafi (Grupo de Ação Financeira Internacional), organização que fiscaliza e regulamenta globalmente as medidas dos governos para combater lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo e o impacto dessas ações no terceiro setor.

Ao final do evento, representantes de grandes instituições sociais discutiram sobre medidas econômicas a serem tomadas na pandemia, e denunciaram o esquecimento das ONGs por parte dos outros setores.

Para José Marcelo Zacchi, um dos palestrantes e secretário-geral do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o fato de as organizações sociais terem sido esquecidas dialoga com uma baixa simpatia da política oficial e com a dificuldade histórica que é a desconfiança da sociedade, que não compreende o papel da sociedade civil.

Durante a plenária, foi levantada a necessidade de união das ONGs, que devem criar estratégias de cooperação para garantir a sobrevivência das pequenas às grandes organizações durante e depois da pandemia.

Além de Zacchi, estiveram presentes na palestra de encerramento Athayde Motta, diretor geral do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Daniela Weiers de Oliveira, do conselho deliberativo da ABCR e gerente administrativa financeira do Synergos Brasil e Victor Graça, gerente executivo da Fundação Abrinq.

Palestrante no Festival ABCR 2019. Em 2020, a conferência ganha versão 100% online
João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da ABCR, no Festival ABCR 2019 - Divulgação

De acordo com Vergueiro, o objetivo primário do Festival é deixar as pessoas felizes, e a equipe percebeu que nesta edição, realizada a distância, os participantes aprenderam e aproveitaram todo o conteúdo disponibilizado.

Além disso, interagiram o tempo todo por meio do aplicativo, nos comentários das palestras ao vivo e com perguntas nas reuniões privadas feitas após os debates.

“O nosso sentimento é de felicidade e, com o impacto alcançado nesta 12ª edição do Festival ABCR, podemos afirmar que conseguimos reduzir ou suprir parte da ausência da presença física por meio das entregas e características do formato online que adotamos”, diz o diretor-executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos.

“Sem dúvida, esta edição marcou os 20 anos de atuação da ABCR no país e, assim como o setor, se mostrou resiliente no atual momento de pandemia da Covid-19, superando as nossas expectativas”, completa.

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