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Joana Mortari

Doar como um ato político, um gesto de cuidado e respeito

Joana Mortari

Membro do Comitê Coordenador do Movimento por uma Cultura de Doação e diretora da Acorde.

Doar é creditar que a transformação é possível e se colocar em movimento para construir um Brasil melhor para todos os brasileiros, sem deixar ninguém para trás.

O brasileiro é um povo generoso por natureza, entretanto, a conversão desta generosidade em recursos para defesa de causas sociais e sustentabilidade das organizações da sociedade civil encontra resistência e expõe desafios que precisamos superar.

Pela primeira vez, tais desafios foram mapeados de forma abrangente e coletiva e apresentados no documento Por um Brasil + Doador, Sempre, lançado pelo Movimento por uma Cultura de Doação durante a Semana do Investimento Social, promovida pelo Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas).

Com a intenção de articular uma agenda comum para quem já atua ou quer atuar em favor da cultura de doação, o documento contém cinco diretrizes a serem trabalhadas: educar para a cultura de doação, promover narrativas engajadoras, criar um ambiente favorável à doação, fortalecer as organizações da sociedade civil e fortalecer o ecossistema promotor da cultura de doação. Para cada uma delas, traz uma explicação de seu significado, mapeia atores-chave e traz recomendações.

As diretrizes estão focadas em desafios diretamente conectados à filantropia, como a falta de compreensão sobre o papel das organizações sociais, ou a percepção errônea de que o que temos para doar não fará a diferença, de que doar é só para pessoas mais ricas do que nós.

Repetimos essas narrativas sem considerar que o valor médio das doações feitas pelas pessoas no Brasil é de R$ 20 por mês. Ou seja, são as doações de pessoas comuns que sustentam muitas das organizações da sociedade civil.

Essa mudança de ponto de vista é o primeiro passo para a conscientização sobre algo maior, que é o papel de cada um na sociedade e no enfrentamento das desigualdades sociais e proteção ambiental, para além da função do Estado.

Quando promovemos a cultura de doação, estamos endereçando questões práticas e necessárias para o desenvolvimento do país, o enfrentamento de preconceitos estruturais existentes aqui e no mundo, bem como cuidando da humanidade do ser humano.

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