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Patrícia Villela Marino e Marcelo De Vita Grecco

Negócios e o bem social, uma mistura que combina

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Patrícia Villela Marino

Advogada e ativista cívico-social. Cofundou e lidera o Instituto Humanitas 360

Marcelo De Vita Grecco

Cofundador e diretor de Desenvolvimento de Negócios da The Green Hub

Ninguém poderia imaginar como 2020 surpreenderia o mundo ao derrubar tudo o que entendíamos como normal.

A pandemia da Covid-19 alterou o nosso comportamento e ações, mobilizando pessoas em várias esferas da sociedade. Porém, mesmo com esforços de praticamente todos os elos sociais para responder às emergências, houve grandes problemas nos quatro cantos do planeta.

Os desafios continuam presentes e somente daqui a alguns anos conseguiremos analisar melhor toda a dinâmica na qual estamos envolvidos.

Porém, desde o primeiro momento, o vírus foi eficiente em revelar nossas fragilidades enquanto seres humanos em um ecossistema globalizado, bem como as falhas na trama social que construímos para nos sentir seguros.

Ficou muito clara a necessidade de trabalhar o bem-estar social em todas as dimensões, englobando indivíduos, setores públicos, privados e da sociedade civil organizada, com senso de filantropia e engajamento para gerar impactos sociais positivos.

Já existem movimentos de valor nesse sentido, mas, agora, precisamos mais volume e intensidade, com base em pesquisa, conhecimento científico, transparência e participação cidadã. Mas e o mundo dos negócios nesse contexto?

A criação de um polo de impacto cívico-socioambiental, em 2017, causou estranheza no empresariado mais conservador. Espaços de coworking eram comuns em São Paulo, mas não um prédio totalmente compartilhado empresas com propósitos tão semelhantes. Esses empreendedores reunidos no Civi-Co sonham com transformações positivas na sociedade, nos espaços públicos e no governo brasileiro, assim como geram empregos, renda e movimentam a economia.

O período de pandemia fortaleceu empresas que buscaram fazer parte da solução. Muitas ajudaram a acelerar a transição no conceito de filantropia, passando da mera contribuição financeira para o impacto social positivo na concepção dos negócios. As contribuições financeiras são bem-vindas e fundamentais nesta crise, mas a verdadeira transformação pede um passo além.

Isso é possível e o Brasil tem bons exemplos de ascensão de empreendimentos cívico-socioambientais. Mapeamento realizado pela Pipe.Social mostra que quase dobrou o volume dessas iniciativas entre 2017 e 2019, passando de 579 para 1.002.

Uma consultoria na área de cannabis como a The Green Hub luta contra o preconceito e desconhecimento, mas não parou um minuto sequer de desenvolver novos projetos e consolidar os antigos durante a pandemia.

Já acelerou quatro start-ups e trabalha para levar informações à sociedade, construindo um ambiente mais favorável à formação do ecossistema de negócios do setor. A operação se consolida como um hub de governança para o mercado de cannabis e tem projeção de, pelo menos, dobrar seu volume de novos negócios e receita em 2021.

Enquanto o Brasil entende lentamente a importância de regulamentar o cultivo do cânhamo, outras duas organizações com foco em cannabis entraram no Civi-Co. A Onixcann / Canteramed conecta pacientes e médicos, facilitando o acesso ao uso medicinal da planta. Já a Cultive – Associação de Cannabis e Saúde trabalha na educação sobre benefícios terapêuticos, favorecendo a produção individual da cannabis para fins medicinais.

Assim, a crescente comunidade de residentes no Civi-Co potencializa a evolução dos negócios de impacto cívico-socioambiental, alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da agenda da ONU para 2030.

Entre outras áreas, atuam em saúde, educação, bioenergia, engenharia e urbanismo, beleza e bem-estar, gestão empresarial, investimento social, cultura e indústria criativa.

Esse empreendedorismo com engajamento social já faz diferença em mobilidade social e econômica, transparência e integridade no sistema econômico, biodiversidade e universalização do saneamento básico, promovendo, ainda, inclusão e diversidade, além de combater desigualdade social, preconceito e discriminação.

Esses projetos não precisam de uma pandemia para mostrar que um negócio só é bom quando todos saem ganhando.

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