Descrição de chapéu Dias Melhores

Produção de máscara em larga humaniza a pena em unidades prisionais

O projeto Humanizando a Pena, Protegendo a Vida, trabalho em oficinais de costura nas Apacs durante a pandemia, foi premiado na categoria Migitação da Covid-19 no Empreendedor Social do Ano

Fernanda Cirenza

Medo, esperança e solidariedade são sentimentos que uniram dois grupos bem distintos de mulheres em Pouso Alegre (MG) durante a pandemia do novo coronavírus.

De um lado, dez das 28 internas da unidade feminina da Apac, presídio humanizado que aposta no trabalho como um dos 12 pilares de ressocialização. Do outro, 180 mulheres que lutam contra o câncer e estão entre os grupos mais vulneráveis à Covid-19.

Elas se deram as mãos, de forma simbólica, no projeto Lencinho com Carinho, que atende mulheres e meninas que lutam contra o câncer, em uma das ações da iniciativa Humanizando a Pena, Protegendo Vida, lançado no auge da pandemia, um dos 30 destaques do Empreendedor Social do Ano, na categoria Mitigação da Covid-19.

Oficina de costura do projeto Humanizando a Pena, Protegendo a Vida, durante a pandemia - Divulgação

“Foi uma contribuição muito importante porque temos poucos voluntários, especialmente na costura”, diz Nilza Batista Domeneguetti, coordenadora do projeto na cidade, que já recebeu 200 máscaras da Apac local, fortalecendo o laço dos presos com a comunidade.

Milene Constantini Ribeiro, que sofreu mastectomia dupla, foi uma das beneficiárias do projeto, ao receber máscaras produzidas no presídio.

“Vou guardar esse gesto de solidariedade para sempre comigo. Conheço quem passou pela Apac e saiu de lá recuperada. Elas merecem uma chance.”

Valdeci Ferreira, presidente da Fbac, afirma que os projetos desenvolvidos nas Apacs, onde é regra o estudo e o trabalho, têm o objetivo de fortalecer o reeducando e o desafio de mostrar para a sociedade que a ressocialização é possível.

“Para nós, o que importa é o homem, não o delito. Acreditamos que toda a pessoa é maior do que seu erro. Por mais que tenham cometido crimes, nossos internos têm a chance de responder, como estão fazendo neste momento de pandemia”.

Ferreira lembra que cada preso recuperado é um bandido a menos na rua.

Condenada a 12 anos por homicídio, Marilene de Souza Costa, 46, é uma das recuperandas que trabalha na oficina de costura dia unidade de São João del Rei.

Faz parte da equipe de acabamento das peças. "Aprendi a mexer na máquina de costura aqui na Apac. Antes, eu trabalhava na lavoura. Agora tenho essa profissão, estou muito boa no overlock”, diz com orgulho.

Marilene divide o trabalho com Lutheska Mayara da Silva, 22, condenada por tráfico de drogas. “A gente começa às 8h e termina às 17h para fazer mil máscaras por dia. É graficamente contribuir com a sociedade, especialmente neste momento.”

Apesar de estar manusear bem linha e agulha, o sonho de Lutheska é estudar para se tornar advogada. “Quero ajudar outras mulheres que por um deslize acabam no sistema prisional."

Nas unidades masculinas, os internos também contribuem para a produção de máscaras. Condenado a 5 anos e 10 meses por tráfico de drogas, Valmir, 40, é um dos 115 detentos do regime fechado da Apac de Frutal (MG).

A rotina na oficia na de produção de máscara começa cedo. "A gente acorda às 7h e trabalha até umas 22h para fazer 5.000 por dia.” Na mesma unidade, uma equipe do semiaberto colabora com o mutirão de limpeza contra a Covid-19 realizado pela prefeitura aos sábados.

Em Campo Belo (MG), o recuperando Wellington Nunes resume o sentimento do Humanizando a Pena, Protegendo a Vida: “O que faço beneficia a sociedade, as pessoas precisam do meu esforço agora. Também preciso desse trabalho, que faz com que me sinta importante e me motiva a ajudar o próximo”.

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