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Empreendimentos de impacto social podem iniciar com projeto piloto em cinco passos

Não há receita pronta para ser empreendedor social, mas há alguns caminhos

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São Paulo

Nesses últimos tempos tenho visto muitos alunos, alunas, ex-alunas, ex- alunos, amigos e amigas falando que gostariam de causar mais impacto social e ambiental. Dizem que estão cansados de trabalhar com temáticas que não concordam ou, simplesmente, o fazem para pagar os boletos mensais.

Realmente não sei se é minha bolha nas redes sociais que acaba mostrando essas necessidades ou se este momento de home office faz com que as pessoas repensem ainda mais suas ações. Ou, ainda, se esta crise sanitária e catástrofe social está aflorando o que realmente importa para a sociedade e para as pessoas.

Para ser empreendedor social não basta acrescentar duas pitadas de criatividade, duas xícaras de pragmatismo, quatro colheres de gestão, uma de espírito empreendedor e três de impacto social. Óbvio que não tem uma receita.

Para começar, antes dos famosos cinco passos, em que didaticamente tentamos simplificar um complexo processo, é bom fazer uma pesquisa de tudo o que está sendo feito no Brasil e no mundo.

Para isso, começo sugerindo uma leitura dos contemplados no Prêmio Empreendedor Social da Folha e Fundação Schwab. Tem histórias fantásticas do trabalho de pessoas que, desde 2005, buscam impactar diariamente pessoas, comunidades e o meio ambiente de forma positiva.

Além desses casos, vale conhecer as atividades dos patrocinadores, apoiadores e parceiros estratégicos da premiação mais importante da área. Nos parceiros institucionais também aparecem grandes referências como ABCR, Artemisia, Civi-Co, Gife, ICE, Idis, Ink Inspira, Impat HUB, Movimento Bem Maior, Quintessa, Sistema B, Social Good Brasil, os advogados especialistas na área e Yunus Negócios Sociais.

Com isso, você conhecerá o que chamamos de ecossistema do empreendedorismo social no Brasil, ou seja, as organizações que trabalham e se engajam com o tema.

Antes de montar uma organização ou negócio, seria interessante esboçar um projeto piloto. Ou, em outras palavras, uma versão beta ou um "minimum viable product" (MVP).

Estou falando aqui de uma visão ampliada de empreendedor social, que pode ser projeto voluntário, ONG, ação coletiva e mobilizadora, projeto social ou ambiental, negócio de impacto social, intraempreendedorismo socioambiental em uma grande ou média empresa, ou ainda, um negócio social.

Para montar esse projeto piloto, os passos seriam:

Estude e compreenda profundamente o problema que você quer resolver

Conhecer profundamente o problema social e ambiental é fundamental para mostrar que você resolveu, certo? Se não conhece os dados, informações, indicadores, causas, efeitos e “dores” do seu público, como vai dizer que está resolvendo?

O impacto social ou ambiental só acontece com dados e informações do antes e do depois. Busque nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e, dentro das 169 metas, o impacto que gostaria de conquistar. Essa é a referência mundial dos problemas e desafios da humanidade.

Entenda bem os seus públicos de relacionamento

Em um projeto piloto social ou ambiental há vários públicos: os beneficiários, que terão as suas “dores” minimizadas ou resolvidas; o investidor, doador ou consumidor, que é quem colocará dinheiro no projeto; o parceiro, que facilitará alguns processos e caminhos; os fornecedores, que ajudarão no dia a dia; a equipe, que operacionalizará o projeto, entre outros. Temos que entender quais são as expectativas, realidades e como será a comunicação com cada um deles.

Coloque objetivos, metas e cronograma

Essa é uma parte técnica de elaboração e planejamento de projetos. Ela precisa deixar claro para todos os públicos onde queremos chegar e como chegaremos lá, como mediremos e qual é o prazo.

Sem esse direcionamento e um documento formal, a tendência é ficar somente na cabeça de quem criou tudo isso, e todos começam a se “trombar” no dia a dia.

Implemente, acompanhe o desenvolvimento do projeto e pense na escala

Quando o projeto piloto for para a rua, é hora de acompanhar o que foi planejado e o que acontece na realidade, fazer as modificações necessárias em tempo real e comunicar sempre para todos.

O empreendedor e o time já devem ir pensando no que está dando certo e o que não está, e com isso começar o planejamento da escala, como aumentar o impacto, como arrecadar mais recursos e afins.

Celebre sempre

Cada fase que der certo deve ser celebrada com a equipe, parceiros e públicos. Momentos de avanço e marcos positivos ajudam a enfrentar as próximas fases dessa jornada.

Espero que este texto tenha servido para o pontapé inicial do seu pensamento em se tornar empreendedor. O momento pede mais e mais empreendedores sociais. Estude, conheça e promova impactos social e ambiental positivos!

Marcus Nakagawa

Professor da ESPM e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental. É idealizador e diretor da Abraps e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

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