Consulta online na floresta vai evitar deslocamento de indígenas

ONG que reforma hospital na Amazônia concorre na Escolha do Leitor em que público pode, além de votar em suas preferidas, doar para ações de enfrentamento à Covid-19

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São Paulo

Três médicos e um engenheiro paulistas se deslocam pela floresta amazônica, nesta semana, levando um projeto na bagagem: a reforma do hospital de Pari Cachoeira. Localizado na fronteira com a Colômbia, o espaço atenderá povos da floresta e deve abrigar um ambulatório para consultas online.

O projeto é encabeçado pela ONG Expedicionários da Saúde (EDS), que há 18 anos organiza expedições para atendimento médico na região amazônica. “Se alguém precisa de um dermatologista ali, tem que navegar oito dias até Manaus”, diz Ricardo Affonso, ortopedista e presidente da EDS.

Um pequeno centro cirúrgico, salas de odontologia e ginecologia, além da instalação de internet, estão previstos na reforma. Ter um hospital na floresta está alinhado com a estratégia da organização de reduzir os deslocamentos de indígenas e ribeirinhos para centros urbanos.

Em 2020, com a iniciativa Missão Covid-19, finalista do Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19, a EDS instalou 262 enfermarias de campanha na região amazônica e providenciou equipamentos e medicamentos. Adaptou ainda quase 2.000 máscaras de mergulho para servirem de respiradores que aliviam a falta de ar.

"Agora está calmo, a vacina chegou e, apesar do medo insuflado pelo ‘pessoal antivacina’, os casos diminuíram”, diz Affonso. Ele conta que as máscaras estão sendo usadas para crianças com sinusite ou asma.

No silêncio da floresta, uma velha conhecida também tira o fôlego: cobras venenosas. “É um problema para as crianças, que são curiosas e às vezes tomam picadas."

Sem acesso rápido ao soro antiofídico, muitas precisam amputar a perna. “A Anvisa recomenda manter o soro gelado, e energia elétrica e geladeira não são comuns nos territórios indígenas”, diz o ortopedista.

Desde 2010 a ONG traz as crianças para Campinas, onde fica sua sede, para tratá-las com cirurgias, prótese e fisioterapia. Depois elas retornam e precisam se reinserir na vida da floresta. O tratamento é bancado por padrinhos. “E é para a vida toda, porque elas crescem e precisam trocar as próteses”.

Com a experiência durante a pandemia, que envolveu também socorro emergencial nas inundações no Acre e o repique da doença no final do ano, Affonso vem reestruturando a Expedicionários da Saúde.

homem de cabelos e barba branca sorri à frente de quadro com criança indígena
O ortopedista Ricardo Affonso, fundador e presidente da ONG Expedicionários da Saúde - Renato Stockler

Além do novo hospital, o projeto Caminhar, que recupera as crianças picadas por cobras, deve se institucionalizar e ganhar mais financiamento. A ONG também planeja o projeto Rodar, formalizando o envio de cadeiras de rodas para reabilitação.

"Tudo começou quando conheci um rapaz que tinha caído de um pé de açaí”, conta Affonso. O homem fraturou a coluna, ficou paraplégico e estava com uma cadeira emprestada.

Como finalista na categoria Mitigação da Covid-19, a Missão Covid-19 vai à votação popular, concorrendo com outras nove iniciativas na Escolha do Leitor.

COMO VOTAR NA ESCOLHA DO LEITOR

Passo 1 Acesse folha.com/escolhadoleitor2021 e escolha a iniciativa que mais fez seus olhos brilharem

Passo 2 Clique no botão "Quero votar" e aguarde a confirmação

Passo 3 Faça uma doação para uma delas clicando em "Doar agora"

Passo 4 Preencha seus dados, valor da doação e clique em "Enviar"

O público poderá eleger seu finalista favorito em cada uma das categorias em formato inovador no qual a enquete, no site da Folha, torna-se também plataforma de doação.

Os vencedores, tanto os recordistas de votos quanto os líderes na captação de doações, serão anunciados ao longo de 2021. As doações obtidas na Escolha do Leitor serão investidas nos novos projetos da EDS.

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