Descrição de chapéu Folha Verão

Como cuidar de crianças nas férias sem acidentes nem neura

Na praia, na piscina e em casa, a supervisão de adultos é o primeiro passo para evitar dores de cabeça

Phillippe Watanabe
São Paulo

Se para as crianças este é um mês com altas expectativas de farra desenfreada, para os adultos é hora de ter atenção redobrada para que a diversão não acabe em acidentes, seja na praia, na piscina, no transporte público ou mesmo em casa, para quem não for viajar.

De acordo com dados do Datasus, tabulados pela ONG Criança Segura, as quedas são a principal causa de internação dos jovens de até 14 anos —quase 50% dos acidentes. As queimaduras somam 20% das internações.

No caso de mortes, o maior culpado é o trânsito, com quase 35% dos casos. Afogamentos (24%) e sufocação (22%) vêm em seguida.

Segundo Renata Waksman, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), nas férias os acidentes costumam aumentar graças à soma da mudança de rotina à falta de supervisão. "As crianças enxergam o mundo de baixo pra cima. Eles querem ver o que está em cima do fogão, da mesa, da estante. Sem supervisão, o acidente acontece mesmo."

E não se trata de proibir crianças de brincar ou de criar pânico. A ideia é instrui-las para que possam crescer conscientes dos riscos e ter atenção redobrada em momentos mais críticos, com aglomerações e riscos maiores.


Na piscina

Ilustrações Catarina Pignato

Na piscina

Quando há água envolvida é preciso ter atenção constante —nada de ficar olhando o celular. Segundo Gabriela Freitas, da ONG Criança Segura, uma criança pode se afogar em quatro minutos.

Ela recomenda designar uma pessoa para ficar de olho nas brincadeiras na água. “Quando há muitas pessoas, às vezes todas se distraem ao mesmo tempo.”

O uso de gradil em volta da piscina evita que a criança tenha contato com a água sem a presença de um adulto. 

E tanto para a piscina quanto para a praia os coletes salva-vidas são ótimos aliados. Boias de braço são mais para diversão, porque podem sair facilmente.


Na praia

A primeira coisa a se fazer ao chegar na praia é procurar um posto de salva-vidas. Ali os pais conseguem pulseirinhas de identificação. Em algumas praias, as pessoas batem palmas para alertar que há uma criança perdida.

Segundo o capitão Eric Gazola, do Corpo de Bombeiros, o contato com os salva-vidas também é importante para saber quais partes da praia têm correntes potencialmente perigosas.

É bom evitar as pedras nas extremidades das praias, que trazem riscos. O tempo fechado também é sinal de alerta para procurar abrigo e evitar acidentes com raios.


Nas viagens

Em carros, o item essencial de segurança é a cadeirinha. A criança só pode se sentar no banco, sem auxílio de assento especial, quando atingir 1,45 m. Com essa altura ela vai ficar sentada, com os pés apoiados no chão e o cinto vai funcionar de forma adequada.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, crianças até os dez anos devem ser transportadas no banco de trás de carros. Até 1 ano, deve-se usar o bebê-conforto, de frente para o banco de trás; de 1 a 4 anos, usa-se a cadeirinha, voltada para o banco da frente do veículo; de 4 a 7,5 anos, assento de elevação; a partir de então —e com 1,45 m—, banco de trás com cinto.


No transporte público e rua

Sempre segure a criança pelo punho, especialmente em locais muito movimentados ou com riscos (ao atravessar a rua, perto de vias movimentadas ou em trens e metrôs) porque é mais difícil de elas se soltarem.

Segundo a pediatra Renata Waksman, é importante explicar os perigos e as consequências de correr em locais públicos. Ela não indica as "coleirinhas" infantis, presas pelo pulso ou em mochilas nas costas. "Esse tipo de equipamento dá falsa sensação de segurança", diz.

Já Gabriela Freitas, da ONG Criança Segura, diz que é aceitável usar o item em casos como o de famílias com muitos filhos em locais muito movimentados


Na hora de brincar

Para brincadeiras e esportes com bicicletas, patins e skates, além da sempre necessária supervisão, o item indispensável é o capacete.

"O quanto que esse item previne lesões é espetacular", diz Renata Waksman, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 

Também é importante buscar praticar essas atividades em locais apropriados, sem trânsito muito próximo de veículos.

Regra semelhante vale para parquinhos, parques e praças, que, de preferência, devem ser cercados e separados das vias públicas. Além disso, é importante prestar atenção nas indicações etárias dos brinquedos desses locais


Em casa

Quedas e acidentes na cozinha são os maiores riscos dentro de casa. Também merecem atenção os afogamentos em bacias, banheiras e baldes. "As crianças precisam gastar energia. Muitas vezes ficam sem fazer nada nas férias e sem supervisão adequada. É aí que os acidentes acontecem", diz a pediatra Renata Waksman. Janelas não devem ficar sem redes de proteção.

Também vale pensar sobre segurança digital. O ideal é orientar as crianças para que saibam navegar de forma saudável e segura nesse ambiente. E, uma vez que elas tiverem um perfil, monitorar seu uso

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