Vacine seus filhos ou seja multado, diz ministro da Saúde da Alemanha

Projeto de lei prevê que, sem vacinação, alunos terão que pagar multas ou ser expulsos

Berlim (Alemanha) | Reuters

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, preparou um projeto de lei que obriga os pais a vacinarem seus filhos contra sarampo ou terão de pagar multas e serem excluídos de creches.

A iniciativa de Spahn acontece em meio a um inflamado debate na Alemanha sobre a obrigatoriedade da vacina contra sarampo, enquanto o número de casos da doença, antes erradicada, atinge os maiores níveis nos Estados Unidos desde 2000.

“Eu quero erradicar o sarampo”, disse Spahn ao jornal Bild am Sonntag. 

“Qualquer um que frequenta o jardim de infância ou a escola deveria ser vacinado contra sarampo”, disse Spahn, explicando seu plano, que obrigaria os pais a mostrarem provas da vacinação. 

“Quem não vacinar seus filhos seria multado em 2.500 euros (11.000 reais)”, acrescentou. 

​Spahn acredita que tem amplo apoio para a lei que propõe na coalizão governista conservadora da chanceler Angela Merkel, à qual ele pertence, e com os sociais-democratas (SPD), mais à esquerda. 

O especialista em políticas de saúde Karl Lauterbach citou uma “base muito boa” para a discussão. “Não funcionará sem multas”, afirmou ao jornal Augsburger Allgemeine. 

Na Itália, crianças sem vacinas não podem mais se matricular em escolas na Itália, numa reação do governo contra os movimentos antivacinação e os casos de sarampo no país.

A regra, que prevê dez vacinas obrigatórias, ​​entre elas a de sarampo, foi originalmente instituída em 2017,  porém, no ano seguinte, acabou temporariamente suspensa. Até semana passada.

Instrumentos semelhantes existem nos EUA, na Austrália e na Alemanha.

Na Austrália, alguns estados, como o de Victoria, também exigem que as crianças estejam vacinadas para entrar no jardim de infância. A lei ganhou o nome de “no jab, no play” (sem vacina, sem brincadeira, em tradução livre). 

Em 2017, foram registrados 4.885 casos de sarampo no país, o segundo índice mais alto da Europa atrás apenas da Romênia. 

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