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Como saber se tenho depressão?

Doença atinge 300 milhões de pessoas no mundo; no Brasil 5,8% da população sofre com o transtorno

Matheus Moreira

Tristeza profunda, falta de ânimo e de vontade de fazer atividades que antes davam prazer, baixa autoestima, irritabilidade e cansaço frequentes são alguns dos sintomas para a depressão, doença que atinge mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

De acordo com Antônio Geraldo da Silva, presidente da Apal (Associação Psiquiátrica da América Latina) e diretor da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), é importante estar atento à duração dos sintomas, que costumam aparecer juntos. 

“A tristeza, sozinha, não é considerada uma doença. Estar triste é normal em diversos momentos, ninguém é feliz o tempo todo. O alerta se acende quando essa tristeza aparenta ser sem motivo e dura mais de duas semanas, de forma constante. Ou seja, a pessoa passa todo o dia triste, abatido, desanimado e com a apresentação dos outros sintomas”, diz.

Estar deprimido não é sinônimo de fraqueza, frescura ou ausência de espiritualidade, mas uma condição médica que requer atenção
Estar deprimido não é sinônimo de fraqueza, frescura ou ausência de espiritualidade, mas uma condição médica que requer atenção - stokkete - stock.adobe.com

Qualquer pessoa pode ter depressão, independentemente da idade, gênero, orientação sexual ou raça, mas Silva aponta que existem populações mais sujeitas à doença, como jovens entre 20 e 30 anos e idosos a partir dos 70. 

Não existem exames laboratoriais para diagnóstico da depressão, apenas clínicos. A avaliação médica passa pelo histórico de queixas do paciente, seu comportamento e, às vezes, conversas com familiares. Cada caso é um caso e nem sempre é necessário o uso de medicamentos para o controle da doença. 

O maior risco que a depressão traz para o paciente é o de suicídio. De acordo com a OMS, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos no mundo. No Brasil, a taxa de suicídio é de 6,1 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto a média global é 10,5. 

Silva explica que o sofrimento e a dor provocados pela doença podem levar uma pessoa a crer que a única solução possível é tirar a própria vida. A depressão, porém, não é o único transtorno mental que pode levar ao suicídio. “Os transtornos de humor, que englobam a depressão, representam 35,8% dos óbitos por suicídio, mas também estão inseridos nesta lista os transtornos por uso de substâncias e a esquizofrenia, entre outras doenças mentais”, diz. 

Ele aponta ainda que estar deprimido não é sinônimo de fraqueza, frescura ou ausência de espiritualidade, mas uma condição médica que requer acompanhamento profissional como qualquer outra.

“O primeiro passo é identificar quais são os sintomas e conversar com um psiquiatra. Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor. Se você identifica em si mesmo ou em pessoas próximas uma tristeza constante e duradoura, perda de interesse em atividades prazerosas, excesso ou falta de sono, apetite em demasia ou falta de apetite, não hesite em buscar um psiquiatra”, alerta.
 

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