Monge vem ao país e pede que desaceleremos

O sul-coreano Haemin Sunim, 46, se tornou um autor best-seller

Teté Ribeiro
Rio de Janeiro

Autor de "Coisas Que Você Só Vê Quando Desacelera", lançado no Brasil em 2017, e de "Amor Pelas Coisas Imperfeitas", editado pela Sextante em março deste ano, Haemin Sunim, 46, está no Brasil pela primeira vez. 

Os dois livros já venderam mais de 100 mil cópias no país, o que desencadeou o convite para que ele viesse para a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, onde participou de uma mesa com o título de seu primeiro best-seller.

Para o monge, que é muito ativo nas redes sociais, elas não são boas nem ruins, 'apenas instrumentos instrumentos'
Para o monge, que é muito ativo nas redes sociais, elas não são boas nem ruins, 'apenas instrumentos instrumentos' - Ricardo Borges/Folhapress

"Fiquei chocado com a enorme quantidade de gente nessa Bienal do Livro. Me disseram que não há muitas livrarias no Brasil, então achei interessante perceber a curiosidade das pessoas com os livros. Isso só acontece quando há demanda por educação, pela melhoria da vida em geral. Seria ótimo se o governo de vocês pudesse providenciar isso", disse o monge, em entrevista para a Folha no Rio.

Nesta semana, ele estará em São Paulo para uma conversa sobre espiritualidade com a atriz e escritora Bruna Lombardi, 67, no Teatro Folha, no dia 5/9.

Desde que lançou "Coisas Que Você Só Vê Quando Desacelera" na Coreia do Sul, em 2012, e em seguida em mais de 30 países do mundo, Haemin Sunim viu sua vida monástica virar de cabeça para baixo. 

De repente era um autor best-seller quase no mundo inteiro, com demandas diárias para eventos literários e entrevistas. Isso além do dinheiro que ganhou, algo um tanto inesperado para quem resolveu ser um monge zen-budista.

"Brinco que eu deveria ser o primeiro a ler os meus livros, porque fiquei muito ocupado desde que eles foram lançados e fizeram sucesso. Se você quer fazer muitas pessoas felizes, fica muito sobrecarregado, porque todo mundo quer alguma coisa de você. Quando começo a dizer sim a muitas pessoas acabo dizendo muitos nãos para mim mesmo e fico muito cansado, então percebo que está na hora de dizer sim para mim mesmo e um pouco mais de não para o mundo", conta.

Com o dinheiro que ganhou de direitos autorais, Haemin lançou um centro de meditação e a Escola do Coração Partido, em Seul, uma organização sem fins lucrativos voltada a pessoas que estão passando por um momento difícil. 

"Lá elas podem se juntar e ter uma sessão de psicoterapia, uma aula de dança ou uma caminhada", disse o monge, que dirige a escola há cinco anos e acabou de lançar uma filial em Busan, a segunda maior cidade da Coreia do Sul. "Tentei fazer uma coisa boa com a popularidade e o dinheiro que ganhei com os meus livros. Dirigir as escolas é meu principal trabalho hoje em dia".

Haemin é muito ativo nas redes sociais, e não acredita que elas sejam boas nem ruins. "São apenas instrumentos. Para mim é muito bom, posto meus pensamentos e só sigo quem me inspira, como o Dalai Lama. Mas para quem fica o tempo inteiro contando likes ou entrando em discussões vazias pode ser muito deprimente", afirma. Aí, o remédio é desacelerar, como ele ensina.

Diálogos Folha: Haemin Sunim e Bruna Lombardi
Data: 5 de setembro (quinta-feira), das 18h às 19h. Local: Teatro Folha - Shopping Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 618, São Paulo, SP). Moderação de Teté Ribeiro. Entrada: O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas pelo site eventos.folha.uol.com.br

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